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“Se o
salário não aumentar, as obras vão parar”
Operários da construção
civil de SP reivindicam reajuste de 15%
“A
construção civil é o setor que mais cresce no país, com novas linhas de
financiamento, redução de impostos e crédito mais barato. Queremos a nossa parte
do bolo, com aumento decente e ampliação de direitos”, afirma manifesto conjunto
dos Sindicatos de São Paulo, Federações, Confederações e Centrais
Nas
inúmeras assembléias realizadas por todo o Estado de São Paulo, os operários da
construção civil deram o clima da Campanha Salarial Unificada: “Se o salário não
aumentar, as obras vão parar”. Além das dezenas de Sindicatos da categoria, se
somaram ao movimento as Federações, Confederações e centrais sindicais, dando
ainda mais consistência e unidade às reivindicações.
DOCUMENTO
O
manifesto das entidades lembra que “a construção civil é o setor que mais cresce
no país, tendo superado a marca dos 13% de aumento no ano passado, sendo que em
São Paulo, o crescimento foi ainda maior: 16%”. “Os patrões estão aproveitando
o bom momento da economia para concentrar ainda mais a renda e ampliar a
exploração da nossa mão-de-obra. Exigimos respeito e dinheiro no bolso! É hora
de repartir os frutos do crescimento”, afirma o documento.
Segundo os trabalhadores, com novas linhas de financiamento, redução de impostos
e crédito mais barato, multiplicam-se os canteiros de obras e os empregos.
Apenas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lembram, “o governo
federal está destinando mais de R$ 500 bilhões para investir em grandes obras. A
iniciativa privada multiplica prédios de alto padrão e gasta alto em propaganda
nos jornais. Enquanto o dinheiro jorra no bolso dos empreiteiros, que começam a
rir à toa e a trocar de carro como quem troca de roupa, o salário dos
trabalhadores continua extremamente baixo”.
Conforme o manifesto, nesta campanha unificada, os trabalhadores vão lutar para
arrancar um aumento maior e garantir os pisos salariais, que muitas empresas
ainda teimam em desrespeitar. Desta vez, sublinham, “o piso dos profissionais
qualificados vai ter que constar na Convenção Coletiva. Não vamos abrir mão
desta exigência”.
RESULTADOS
“Já
que os patrões estão ganhando como nunca, vamos também exigir a divisão dos
lucros. Afinal, esse dinheiro é fruto do nosso trabalho. Não é justo ficarmos só
no esforço, enquanto o patrão fica mais rico sem dar a nossa parte no repasse
dos bons resultados da empresa”, declarou Waldemar Pires de Oliveira,
presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT).
REIVINDICAÇÕES
Além destas exigências, frisou Waldemar, “também vamos lutar para avançar nas
conquistas previstas na nossa Convenção Coletiva, reduzir a jornada de trabalho,
garantir o fornecimento de protetor solar, cesta básica de 30 quilos, kit
higiênico nos canteiros de obras e melhoria no Convênio Médico”. Nas negociações
que tiveram até agora com o setor patronal, as lideranças deixaram claro que os
trabalhadores não abrem mão destes avanços e que ou são respeitados nas
reivindicações, ou as obras serão paralisadas. A mobilização reivindica os
seguintes pisos: ajudante R$ 752,00; profissional qualificado R$ 977,00 e
montagem industrial R$ 1.271.00.
MOMENTO
“Nesta campanha salarial unificada estamos organizando os trabalhadores na
capital e no Estado rumo à greve, que está sendo preparada para o início de maio
caso os empresários da construção civil, que estão vivendo o melhor momento
financeiro das últimas décadas, continuarem fazendo vistas grossas para as
nossas reivindicações”, acrescentou Antonio de Souza Ramalho, presidente do
Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e do Mobiliário de São Paulo.
Para
Ramalho, “chegou a hora de dividir o bolo, porque os patrões do setor da
construção nunca ganharam tanto com a expansão da economia, principalmente
através do PAC”. Por isto, alertou, “queremos ampliar a participação nos Lucros
e Resultados, recuperar o achatamento nos salários, garantir 10% de aumento
acima da inflação acumulada no período, redução da carga horária, qualificação
profissional e mais investimentos na melhoria do ambiente de trabalho”. |