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Venezuela acaba farra de multis que especulavam
com o cimento
Empresas
faziam acordos de cartel e rebaixavam a produção para elevar os preços.
“Brecavam os planos de construção”, denunciou Hugo Chávez
“Vamos
nacionalizar a indústria do cimento a partir de hoje. É um setor estratégico e
deve estar em mãos do Estado”, afirmou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
sobre a decisão tomada na sexta-feira, dia 4, em reunião de seu gabinete que foi
transmitida por rádio e televisão.
Alguns meses atrás, Chávez tinha advertido que
procederia a nacionalização das corporações estrangeiras desse setor - a Cemex,
que tem sede no México, embora sua composição acionária seja obscura; a francesa
Lafarge e a suíça Holcim -, se continuassem provocando o desabasteci-mento
interno, que tem afetado várias obras públicas e sabotado os planos de
construção de casas populares do governo.
CARTEL
“O principal problema –acrescentou Chávez - é
que essas multinacionais se põem de acordo para fixar o preço do cimento,
provocando uma cartelização, trabalham muitas vezes abaixo de sua capacidade
para não diminuir os preços do cimento e exportam uma grande quantidade das
toneladas métricas que produzem anualmente e, muitas vezes, brecam os planos de
construção porque acaba o cimento. Além de que, o vendem bem caro, apesar de
que a matéria prima é muito barata e é nossa”.
Segundo cálculos elaborados a finais de 2007
pelo ministério de Indústrias Básicas, o déficit de cimento no mercado interno
venezuelano alcança 42% da demanda, enquanto essas empresas destinavam mais de
50% de sua produção à exportação.
O presidente assinalou que a nacionalização
desse setor, como foi no do petróleo, telecomunicações e eletricidade,
principalmente, será fruto de negociações para determinar as indenizações ou
definir acordos de compra e venda.
“Vamos de uma vez por todas fazer o plano
tecnológico para modernizar as plantas de cimento e ter em mãos do Estado o
poder social”, disse, lembrando que essas empresas foram privatizadas cerca de
cinco anos antes de sua chegada ao poder, em 1999, e que hoje o Estado “as
necessita, porque houve uma explosão (de crescimento) na construção”.
A Cemex, cujo principal comprador são os Estados
Unidos, controlava 52% da produção de cimento da Venezuela, com três fábricas
que têm uma capacidade de produção de 4,4 milhões de toneladas de cimento ao
ano. No mundo, a corporação tem presença em 50 países, com uma produção anual de
97 milhões de toneladas de cimento e 77 milhões de toneladas métricas de
concreto pré-misturado. Apesar do governo venezuelano ter declarado que será
ressarcido o preço das propriedades da empresa, Lorenzo Zambrano, que encabeça o
grupo, expressou que “é uma ação inadequada em que não se respeitou a
propriedade e o direito dos mexicanos”.
“A Venezuela demonstrou que é responsável.
Pagaremos até o último centavo. Às corporações é que é difícil pedir que
respeitem alguma coisa, é por isso que recuperamos as empresas. As minas de
calcário são nossas, são do país, e eles vendem o cimento a preços inflados. O
cimento venezuelano é um dos mais caros do mundo e o escondem, há empresários no
nosso país que importam cimento da Europa”, frisou o ministro de Indústrias
básicas, Rodolfo Sanz.
MORADIAS
Este ano serão construídas 200.000 casas na
Venezuela, sendo 127.000 pelo governo central e outras 73.000 pelas prefeituras.
No ano passado, até setembro já haviam sido construídas 96.000 casas e outras
156.000 estavam em obras.
Durante todo o governo de Chávez, a construção
de moradias esteve acima de 100.000 por ano, fazendo com que o deficit
habitacional do país venha diminuindo progressivamente, como afirmou Jorge
Perez, ministro venezuelano de Moradia.
Há também apoio em material de construção para a
melhoria de centenas de milhares de casas já habitadas. Na Venezuela a
necessidade anual de novas residências é de 100.000. O ritmo das construções
populares fez o deficit habitacional da Venezuela cair de 1,8 milhões para 1,5
milhões com o governo atual. Com o aumento do número anual de construções o
deficit cairá mais rápidamente.
SUSANA SANTOS |