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Obama: “é
nossa tarefa concluir a luta iniciada por Luther King”
Ao
homenagear Martin Luther King na passagem dos 40 anos de seu assassinato, o
pré-candidato democrata disse que “enquanto tantos americanos estiverem
mergulhados na pobreza, o sonho de que falou o Dr. King continuará fora do
alcance”
Em emocionado discurso em uma escola de Fort
Wayne, Indiana, o candidato democrata Barack Obama homenageou o líder
negro Martin Luther King Jr, que encabeçou na década de 60 a luta que
desmantelou o apartheid no sul dos Estados Unidos e assegurou os direitos
civis aos negros no país inteiro, no transcurso dos 40 anos de seu
assassinato. Obama assinalou que “a luta pela justiça econômica permanece
uma parte inacabada do legado de King”. Porque – acrescentou – “o sonho está
ainda fora de alcance para demasiados americanos. Exatamente esta manhã, foi
anunciado que mais americanos estão desempregados agora do que em qualquer
outra época em anos. E por todo o país, famílias estão enfrentando custos
crescentes, salários estagnados, e o terrível fardo de perder sua casa”.
Antes, Obama havia lembrado que Luther King compreendeu que a “a luta por
justiça econômica e a luta por justiça racial eram na verdade uma só – e
parte da luta maior pela liberdade, dignidade e humanidade”. Ele conclamou,
ainda, todos os americanos a, como apontava Luther King, “se unirem” para
curvar em direção à justiça “o longo arco da moral universal”.
ESPERANÇAS
Obama acrescentou que boa parte das maiores
necessidades dos dias atuais é a mesma de “quando o Dr. King pronunciou seu
sermão em Memphis” – a cidade em que foi assassinado. Temos de reconhecer –
ressaltou - que conquanto cada um de nós “tenha um passado diferente, todos
nós compartilhamos as mesmas esperanças para o futuro”– que poderemos achar
“um emprego que pague um salário decente”, que haverá um “atendimento médico
com que possamos arcar quando ficarmos doentes”, que seremos capazes de
“mandar nossos garotos para a universidade”, e que depois de uma vida de
trabalho duro, possamos “nos aposentar com segurança”. “São esperanças
comuns, sonhos modestos”, afirmou, complementando que eles “estão no coração
da luta que o Dr. King começou, e que é nossa tarefa completar”.
Logo no início de seu discurso, Obama pediu um
minuto de silêncio “em memória deste extraordinário americano, que moveu uma
nação inteira através de sua fé, coragem e sabedoria”. “O Dr. King pregou “o
evangelho da fraternidade; da igualdade e da justiça. Essa é a causa pela
qual ele viveu – e pela qual ele morreu quarenta anos atrás, hoje”,
destacou. Para Obama, a data causou um grande debate no país inteiro sobre
“o que a vida e o legado do Dr. King nos dizem hoje”. O líder democrata
convidou os presentes “a uma reflexão” sobre
o
que levou Luther King até Memphis. Em 1968, os lixeiros da cidade entraram
em greve, e o líder dos direitos civis foi até lá para apoiá-los. Eram mais
de 1.000 grevistas, com reivindicações modestas – salários melhores,
benefícios melhores, e o reconhecimento de seu sindicato. Foram reprimidos
de forma feroz. “Suas vigílias eram interrompidas com algemas. Seus
protestos dissolvidos a cassetete. Um garoto de 16 anos tombou morto” no
final de uma manifestação, registrou.
Era uma luta “pela justiça econômica, por
oportunidades que deveriam estar disponíveis às pessoas de todas as raças e
todos os modos de vida”, assinalou Obama. “O Dr. King compreendeu que a luta
por justiça econômica e a luta por justiça racial eram na verdade uma só – e
parte da luta maior pela liberdade, pela dignidade, e pela humanidade.”
Obama transportou, então, para a atualidade, a heróica luta de Luther King.
“Enquanto os americanos estiveram atolados na pobreza, enquanto tiverem
negados os salários, benefícios e tratamento justo que merecem – enquanto as
oportunidades forem abertas para alguns, mas não para todos, - o sonho de
que ele falou continuará fora do alcance”.
MEMPHIS
Obama rememorou que “na véspera de sua morte, o
Dr. King fez um sermão em Memphis sobre o que o movimento significava para
ele e para a América”. Luther King disse, então, que “a despeito das ameaças
que tinha recebido, não temia homem algum, porque tinha visto quando
Birminghan elevou a consciência desta nação”. O que o fez ter tal certeza
foi, como o mártir relatara naquela noite há quarenta anos, ter visto “a
capacidade dos americanos” de “projetar o ‘Eu’ no ‘Tu’”. Ou seja, “o
reconhecimento de que não importa qual é a cor de nossa pele, não importa
qual fé professemos, não importa quanto dinheiro tenhamos – não importa se
somos trabalhadores na coleta de lixo ou senadores dos Estados Unidos –
todos nós temos uma aposta no outro, somos o protetor de nossos irmãos,
somos o protetor de nossa irmã”, enfatizou Obama. Como Luther King
advertira: “ou nos levantamos juntos, ou afundamos juntos”. Quando Luther
King foi morto no dia seguinte, ficou “uma ferida na alma de nossa nação que
não está ainda plenamente cicatrizada”, apontou. O candidato democrata
ressaltou, ainda, a atuação da viúva de Luther King, Coretta Scott King, que
“assumiu a causa de seu marido”.
JUSTIÇA
Obama enfatizou, então, um aspecto fundamental
dessa luta. “O Dr. King disse certa vez que o arco da moral universal é
longo, mas que se curva em direção à justiça”, apontou , acrescentando que o
mártir “também sabia que ele não se curva por conta própria”. Ele se curva –
acrescentou – “porque cada um de nós põe as mãos no arco e o curva na
direção da justiça”. O pré-candidato democrata convocou, então, todos os
cidadãos americanos a se unirem. “Então, neste dia – em todos os dias – que
cada um de nós faça sua parte para curvar esse arco. Na direção da justiça.
Na direção das oportunidades. Na direção da prosperidade para todos”. “Se
pudermos fazer isso e marchamos juntos – como uma nação, e um povo – então
nós não apenas manteremos a fé pela qual o Dr. King viveu e morreu, nós
estaremos tornando reais as palavras de Amos, que ele invocava tão
frequentemente, e ‘deixando a justiça fluir como água e a retidão como uma
poderosa torrente’”, concluiu.
ANTONIO PIMENTA |