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Indústria
promove ajustes para compatibilizar oferta e demanda e dispensa alta do
juro, diz Iedi
Para o Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “a anunciada disposição do
Banco Central de elevar a taxa básica de juros em sua reunião da próxima semana”
é vista com “temor” pelo setor produtivo. “O receio do setor produtivo é que o
reinício do aumento da taxa de juros não tanto afete os custos do crédito, mas,
mais grave, sinalize, no plano das expectativas, para um menor crescimento dos
investimentos do setor produtivo e, consequentemente, para uma taxa mais baixa
de evolução do PIB”.
“As decisões de
investir vêm tendo forte aceleração nos últimos seis meses, daí originando-se
uma fonte de dinamismo para a economia associada à estabilidade de preços poucas
vezes encontrada nos ciclos da economia brasileira”, afirma o Iedi, referindo-se
às alegações do Banco Central de que a indústria não estaria em condições de
atender a demanda doméstica.
Dados divulgados
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp) “foram convergentes em mostrar que a utilização de
capacidade permaneceu praticamente inalterada nesse início de ano, com sinais de
leve queda. Resultado do grande impulso dos investimentos e do ajuste que a
curto prazo as importações promovem no abastecimento doméstico”, argumenta a
entidade. “O setor produtivo está promovendo os ajustes necessários para
compatibilizar oferta e demanda, dispensando a necessidade de intervenção da
política macroeconômica. Ações na área micro, por outro lado, são muito
bem-vindas para ampliação de oferta e barateamento da infra-estrutura e dos
insumos básicos”, afirma o Iedi.
Segundo o Iedi, “os
empresários temem que, precisamente no momento em que estão ampliando seus
investimentos, a demanda interna não corresponda ao crescimento previsto que
alimentou as novas encomendas de bens de capital. Temem ainda que o aumento da
taxa de juros aprofunde a valorização do Real, desestimule ainda mais as
exportações e amplie a queda do saldo comercial”.
Pelos dados da CNI, a utilização da capacidade instalada em fevereiro ficou em
82,9%, uma queda de 0,16 pontos percentuais em relação ao mês anterior. |