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Lula condena oposição por criar outra CPI e desrespeitar acordo
Além do
presidente Lula, os líderes Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO)
também reagiram à falta de palavra da oposição
A oposição demo-tucana desrespeitou o acordo
feito com a base do governo que resultou na instalação da Comissão Parlamentar
Mista (CPMI). Pelo acordo, a base do governo abriu mão da presidência da
comissão em favor da oposição para que fosse criada a CPI mista e evitar a
instalação de duas CPIs. Por ser maioria, era direito da base indicar o
presidente.
Apesar de ter feito a presidência da comissão, a
oposição decidiu esvaziar a investigação feita pelas duas casas para abrir outra
exclusiva do Senado. Já na quarta-feira (9), apenas dois parlamentares do Dem
estiveram presentes e a senadora Marisa Serrano (PSDB-PA), presidente da CPMI,
anunciou que vai encerrar os trabalhos.
Atordoada com alguns reveses na CPI da Tapioca e
com a revelação de que um de seus próceres, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), foi
o autor do vazamento para a “Veja” de um suposto dossiê contendo informações
confidenciais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da D. Ruth Cardoso e
de alguns outros auxiliares, a oposição decidiu jogar a toalha na CPI mista para
tentar fazer do Senado um novo palco para suas provocações.
Pura ilusão. Também na CPI do Senado, aberta na
quarta-feira, a base aliada terá maioria dos votos para impedir o teatro da
oposição. Oito senadores serão indicados pela bancada governista enquanto a
oposição indicará apenas três. Várias vezes a oposição foi derrotada em sua
tentativa de transformar a CPI mista num palco para sua demagogia.
Não só ela estará em minoria numérica na nova
CPI, como estará também mais desgastada politicamente depois de romper o acordo
político acertado com a bancada do governo. O comportamento da oposição recebeu
críticas vindas de todos os lados.
Para o presidente Lula, a oposição quebrou um
acordo político e deve pagar um preço por isso. Ele orientou os líderes do
governo a cobrarem duramente a oposição pelo rompimento do acordo. “O presidente
me pediu para falar com os senadores da base aliada e cobrar da oposição a
quebra do acordo. Afinal, havia um entendimento para que deputados e senadores
do governo e da oposição compartilhassem a CPI mista”, disse o José Múcio,
ministro das Relações Institucionais. “A oposição faz luta política, o que é
normal e legítimo, mas está quebrando um entendimento que prejudicará acordos
futuros”, acrescentou.
O líder do governo, senador Romero Jucá
(PMDB-RR), também criticou a decisão da oposição de abrir uma outra CPI,
exclusiva do Senado. “Entendo que essa nova CPI quebra o acordo e o entendimento
anterior sobre os cargos também acaba”, afirmou Jucá. Neste sentido, a base
aliada já anunciou que vai indicar a presidência e a relatoria da nova comissão.
O PMDB já indicou o seu líder no Senado, Valdir Raupp (RO), o senador Gilvam
Borges (AP) e o líder do governo na Casa, senador Romero Jucá. Até a noite de
quarta-feira, nem a oposição e nem os outros partidos da base tinham indicado os
seus representantes.
Diante do argumento demagógico dos senadores
demo-tucanos de que a maioria do governo na CPI mista impede a aprovação de seus
requerimentos, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, voltou a
replicar a tese, apontando o comportamento do PSDB em São Paulo como exemplo de
como age a oposição. “E o que o PSDB faz em São Paulo? Não permite nem criação
de CPI. Ora, maioria é maioria. A minoria não pode querer ditar o rumo da CPI”,
disse José Múcio.
Valdir Raupp, por sua vez, adiantou que a quebra
do acordo terá como conseqüência a ocupação dos principais cargos da nova CPI
pela base aliada. “A base do governo vai colocar o presidente e o relator na
comissão porque foi quebrado o acordo”, disse. Ele criticou a insistência da
oposição em abrir CPIs e lembrou que “há outros órgãos para investigar, como a
Polícia Federal, o Ministério da Justiça, o Tribunal de Contas”. Mesmo o
presidente do Senado, senador Garibaldi Alves, que abriu caminho para a leitura
do requerimento de instalação da CPI, também criticou a oposição por insistir em
abrir a nova CPI. “Essa CPI é uma dispersão de forças”, afirmou. “Já há uma CPI
em funcionamento e ela deveria ser responsável pelos trabalhos de investigação
sobre os cartões corporativos”, completou.
O presidente Lula também falou sobre a “crise do
dossiê”. “A oposição não sabe o que quer e está transformando um banco de dados
em dossiê”, disse o presidente. “Investigar um banco de dados seria investigar
um servidor público que está cumprindo com as suas obrigações”, acrescentou. “O
que eu quero saber é quem vazou”, prosseguiu Lula. Ele acrescentou que está
seguro que a Polícia Federal vai descobrir quem vazou as informações do banco de
dados da Casa Civil. “Se eu fosse chegado em dossiês, no auge da crise do
mensalão, em 2005, eu poderia entrar na guerra e fazer dossiês para mostrar
corrupção de meus adversários”, afirmou. “Se eu fosse fazer isso, seria para
mostrar corrupção de muita gente, mas não sou adepto disso”, concluiu o
presidente.
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