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Otavinho admite uso eleitoral da “Folha”
O Otavinho está colocando em risco o patrimônio
que seu pai lhe deixou. Tudo bem, o velho fazia uns negócios algo fora de
esquadro – desde vendas informais de arame farpado até construir, e açambarcar,
a rodoviária mais feia do mundo, a antiga de São Paulo, passando por acordos com
o DOI-CODI e por dar calote nos assinantes vitalícios. Mas o velho Frias era
esperto. Não colocaria na manchete do seu jornal algo tão estúpido quanto
“Ministro admite uso eleitoral do PAC”, tal como, na quarta-feira, a “Folha de
S. Paulo” saiu às bancas. É duro agüentar esses herdeiros incompetentes que só
sabem dilapidar o que o pai construiu com tanto suor e senso de oportunidade!
O fato que motivou o frontispício da “Folha” foi
uma reunião pública – um repórter da “Folha” a assistiu sem precisar entrar na
clandestinidade – de parlamentares e prefeitos do PP com o ministro das Cidades,
Márcio Fortes, membro da mesma sigla. A reunião foi na Câmara de Deputados e o
que se discutiu foi a capitalização pelo PP das obras do governo de que faz
parte, especialmente daquelas em que representantes do PP contribuíram
diretamente.
Nada mais corriqueiro. Aliás, é até banal. Qual
o político que não capitaliza o que fez ou contribuiu para fazer? Somente
aqueles que não fizeram nada. E, sem dúvida, é muito justo que aqueles que
fizeram alguma coisa pelo país apresentem-no aos eleitores. Por que estes
deveriam votar em quem não fez nada, em vez de votar em quem fez algo pelo povo?
Entretanto, seja dita a verdade, são políticos
dessa cepa que não faz nada por ninguém, exceto por eles mesmos, que são os
preferidos pela “Folha” - Fernando Henrique, Serra, Alckmin, etc. Que “uso
eleitoral” eles podem fazer do “apagão”? Ou da promoção do maior festival de
corrupção da história do país, conhecido pelo nome de “privatização”?
Portanto, não é um simples acesso de maluquice
que faz o Otavinho arrumar esse pseudo-escândalo para manchete do jornal da
família. O problema é que, se os políticos dos partidos da base do governo Lula,
como é inevitável, apresentarem as realizações para as quais seu partido
contribuiu, os candidatos do pobre rapaz vão ter que concorrer na Lapônia – e
com poucas chances, pois o pessoal de lá não é besta.
Evidentemente, o Otavinho quer dizer que as
obras do PAC são meramente eleitoreiras. Por sinal, era o que os golpistas da
UDN diziam do Plano de Metas de Juscelino e, sobretudo, de Brasília, desde que
aquele presidente começou a construí-la. Depois, em 1964, deram um golpe de
Estado, entre outras razões porque achavam que no ano seguinte Juscelino
voltaria à Presidência fazendo “uso eleitoral” de Brasília e do Plano de Metas
de seu primeiro mandato. Obviamente, era o que Juscelino apresentaria ao povo
como credencial para ser eleito outra vez, se as eleições de 1965 ocorressem.
O problema do Otavinho é o mesmo desses seus
antecessores: quer impedir Lula de eleger seu sucessor, impedindo-o de realizar
obras em benefício do povo. E acha que vai conseguir isso com manchetes imbecis,
chamando toda e qualquer obra de eleitoreira, porque o povo nas eleições irá
preferir quem houver contribuído para elas.
Nós temos o maior interesse em que a “Folha de
S. Paulo” não acabe. Afinal, como iríamos nos divertir? Só com a “Veja”? Ora,
leitores, não temos tanta paciência assim com a perversão. Convenhamos que a
“Folha” é mais engraçada. Principalmente quando resolve posar de democrática e
de defensora dos interesses dos leitores. Melhor ainda quando convoca alguma
mediocridade com título acadêmico (daqueles que, como dizia o velho Machado,
“atestam o saber que não se tem”) para repetir o que interessa aos Frias. Ou
quando trata determinados idiotas como grandes jornalistas. Aí, é um circo. Não
é à toa que o Clóvis Rossi parece tanto com o Carequinha...
Por isso mesmo, estamos seriamente preocupados
com o destino desse gaiato jornal paulistano. Desse jeito, a “Folha” vai acabar
dentro em breve. E tudo por causa de um filho ingrato.
CARLOS LOPES |