|
Carteira assinada e qualificação para 1 milhão e 350 mil operários
Construção civil conquista
contrapartida social no PAC
Plano
Setorial de Qualificação (Planseq) do Ministério do Trabalho garante início da
ação no mês de maio. “Temos um desafio que é institucionalizar novas práticas,
para que permaneçam”, afirma o ministro Carlos Lupi
Os
trabalhadores da construção civil são a primeira catego ria beneficiada
por contrapartidas sociais nas obras com investimentos públicos, bandeira
erguida pelas centrais desde que foi anunciado o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
Até o fim deste ano, 1 milhão e 350 mil trabalhadores da
construção civil que vão atuar em obras do PAC serão registrados em carteira e,
depois de contratados, passarão por cursos de qualificação profissional, com
carga horária de 200 horas. Além de técnicas específicas, os cursos
proporcionarão conhecimentos em segurança do trabalho, combate ao desperdício e
legislação trabalhista e previdenciária.
O projeto educacional para operários da construção terá
início já em maio e receberá, até o final do ano, R$ 150 milhões do Plano
Setorial de Qualificação (Planseq), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O
valor é o dobro dos R$ 70 milhões aplicados pelo Planseq no ano passado, em
todos os setores de atividade. De acordo com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
o investimento será mantido nos anos seguintes, ampliando o número de
trabalhadores.
Desde o ano passado, a Confederação Nacional de Sindicatos
de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom/CUT), junto
com as centrais sindicais, buscou abrir canais de negociação com os empresários
representados pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e com o
governo federal para consolidar um contrato coletivo nacional no setor e
estabelecer um padrão de contrapartidas sociais para os investimentos públicos.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, acredita que essa
modalidade do Planseq pode ser uma das marcas de sua gestão, servindo de
parâmetro para o futuro: “Temos um desafio que é institucionalizar novas
práticas, para que elas permaneçam mesmo depois que o governo mude. Precisamos
valorizar e incentivar o emprego com carteira assinada”.
Os cursos serão ministrados por entidades especializadas,
com a esperada participação de governos estaduais e prefeituras. “Mas os
sindicatos têm de fazer parte dos conselhos locais, para cuidar da escolha das
entidades e monitorar os cursos. Assim, nós vamos mudando a realidade desse
mercado, onde menos de dois milhões têm direito trabalhistas, enquanto há mais
de cinco milhões trabalhando”, afirmou Waldemar de Oliveira, presidente da
Conticom.
Para participar do projeto, o trabalhador deverá ter
cursado, no mínimo, o quarto ano do ensino fundamental e estar desempregado.
Para chegar até esses trabalhadores, o Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome vai priorizar as famílias cadastradas no Bolsa-Família. “Com essa
articulação, queremos também construir portas de saída para o Bolsa-Família”,
declarou Artur Henrique, presidente da CUT nacional. Para Artur, um dos méritos
do projeto é vincular a contratação em carteira à qualificação profissional. “A
empresa que quiser mão-de-obra qualificada terá de registrar em carteira. E a
maior parte do curso vai acontecer durante a jornada de trabalho, no canteiro. O
empregador terá de se envolver, algo não muito comum num setor que abusa das
contratações irregulares”, esclareceu.
Na avaliação de Waldemar, as empresas vão se candidatar em
peso para participar do projeto pois há grande necessidade de mão-de-obra bem
preparada na construção civil: “O aquecimento do mercado e o início de projetos
de grande porte, como hidrelétricas, vão demandar muitos trabalhadores”. Segundo
a Conticom, o curso vai oferecer mais que qualificação técnica, com conteúdo
sobre legislação trabalhista e direitos, meio ambiente, saúde e segurança.
“Nosso objetivo é ajudar a formar cidadãos, trabalhadores que vão dar início a
uma mudança no modo como esse mercado funciona”.
Para Samuel da Silva Freitas, presidente do Sindicato dos
Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de Campo Grande e da executiva
nacional da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), “esta
contrapartida social vem ao encontro de bandeiras históricas dos trabalhadores,
pois diz respeito a melhores condições de salário, de ambiente de trabalho e de
vida, que agora vão se concretizando no governo Lula”. “Um milhão e 350 mil
trabalhadores serão qualificados, inseridos no mercado como cidadãos
brasileiros, e terão o seu sonhado registro em carteira com os direitos
trabalhistas assegurados como determina a lei. Este é um projeto de envergadura
social e econômica que vai alavancar o futuro dos trabalhadores do setor,
pessoas que ao longo de décadas foram vergonhosamente desrespeitadas”, declarou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de São Paulo e vice-presidente nacional da Força Sindical, Antonio de
Souza Ramalho, disse que a decisão do governo dialoga com as necessidades do
segmento, que responde por 16% do Produto Interno Bruto brasileiro, mas mantém
65% dos seus trabalhadores sem registro em carteira. |