|
Explosões em distribuidoras de energia
privatizadas castigam SP
Incêndios ocorreram no mesmo dia em duas
subestações. 1,5 milhão de pessoas foram
prejudicadas com a falta de energia, metrô
parado por mais de 1h e semáforos desligados
Dois
incêndios ocorridos após explosão de
transformadores da Companhia de Transmissão de
Energia Elétrica Paulista (CTEEP), privatizada
em junho de 2006, e da Bandeirante Energia, de
Guarulhos, também privatizada, castigaram a
população da capital e da Grande São Paulo na
quarta-feira (9). A transmissão de energia para
cerca de 400 mil imóveis foi interrompida,
prejudicando um milhão e meio de pessoas, os
semáforos foram desligados, ocasionando o
recorde de 155 km de congestionamentos na
cidade, e a linha azul do metrô de São Paulo
ficou parada durante mais de uma hora.
O primeiro incêndio ocorreu na subestação de
energia elétrica da CTEEP, na Vila Pirituba,
zona Norte de São Paulo. O fogo paralisou a
transmissão de energia para 300 mil residências,
atingindo 24 bairros de São Paulo. Mais tarde,
um outro incêndio ocorrido na Subestação
Bandeirante, atingiu as torres da Estação de
Transformação de Distribuição, no centro de
Guarulhos, na Grande São Paulo o que ocasionou o
corte de energia para 67 mil casas, em 20
bairros.
“O
descaso, novamente, provocou explosões no
sistema”, declarou em nota, o presidente do
Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp),
Antonio Carlos dos Reis, conhecido como Salim.
Para ele, os apagões correntes são retrato da
desatenção com que as empresas privadas tratam a
transmissão de energia em São Paulo. “Esses
acontecimentos serão cada vez mais constantes se
as empresas continuarem a não investir em
manutenção preventiva dos equipamentos e
insistirem em diminuir o quadro de
funcionários”, declarou Salim.
Salim demonstrou claramente a política de
demissão praticada pela CTEEP após a
privatização. “Haviam 3 mil funcionários antes
da CTEEP ser vendida, hoje são 1,3 mil”,
denunciou o presidente.
Em março deste ano um acidente semelhante ao da
última quarta-feira, também devido à explosão de
transformadores da CTEEP, ocorreu em São Paulo.
Na ocasião, 3 milhões de pessoas ficaram sem
energia em 21 bairros na capital e em parte dos
municípios de Taboão da Serra e Embu. O
vice-presidente do Stieesp, Carlos Alberto dos
Reis, já havia alertado que, se as devidas
providências não fossem tomadas, novos apagões
iriam acontecer. “Sem o quadro suficiente, a
vistoria dos equipamentos está sendo
negligenciada e, se nada for feito, novos
apagões vão se repetir”, declarou, na época, o
sindicalista.
A CTEEP foi entregue à colombiana Interconexión
Eléctrica S.A. (ISA) no ano de 2006, em um dos
maiores escândalos da privatização. Na época do
leilão, a empresa foi avaliada em R$ 16 bilhões,
mas foi “doada” à estrangeira por apenas R$
1,193 bilhão. Para concretizar a venda, o então
presidente da estatal, José Sidnei Colombo
Martini, foi enviado pelo governo paulista,
cinco meses antes da venda, a uma reunião com a
diretoria da ISA, em Bogotá. Episódio que
demonstra o objetivo pré-estabelecido de entrega
do patrimônio público paulista.
A partir da privatização, a CTEEP passou a
contabilizar queda na qualidade de serviços,
demissões em massa e cobrança de tarifas
exorbitantes, tudo associado a uma margem de
lucro cada vez maior. Segundo suas demonstrações
contábeis, durante o ano de 2007, a empresa
registrou lucro líquido de R$ 855,483 milhões, o
que representa um aumento de 630% em relação ao
ano de 2006. Atrelado e em contraponto à isso, a
empresa reduziu em 63% as despesas com serviços
de operação.
Os diversos apagões que vêm ocorrendo em São
Paulo demonstram os malefícios trazidos pela
administração que vem governando o estado há 12
anos. A entrega das estatais ao capital privado
já demonstrou que não traz benefícios à
população, pelo contrário, caracteriza-se pela
subavaliação do valor das empresas, pela queda
de qualidade nos serviços que devem ser
oferecidos à população e pela cobrança de
tarifas exorbitantes com a finalidade de
abarrotar os cofres das empresas estrangeiras.
Um exemplo de que a população paulista já se deu
conta desses malefícios foi, recentemente, a
derrubada da privatização da Companhia
Energética de São Paulo (CESP), com a
mobilização ampla da população, através do
movimento sindical, estudantil, movimentos
sociais, partidos políticos e parlamentares.
FERNANDA CALVI |