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Câmara
adia votação de projeto sobre TV paga
Um pedido
de vista coletivo de deputados que integram a Comissão de Ciência e
Tecnologia da Câmara adiou a votação do segundo relatório do PL 29 – projeto
que trata da TV por assinatura e do setor de audiovisual – apresentado pelo
deputado Jorge Bittar (PT/RJ) na quarta-feira (9). A petição, aliado a um
requerimento para o tema ser discutido no plenário da Casa, possibilitará,
na opinião dos parlamentares, que o assunto seja debatido mais amplamente.
O projeto – que
propõe abrir completamente o setor de TV paga para ser explorado por
conglomerados estrangeiros de mídia - vem gerando inúmeras polêmicas na
Câmara e está sendo criticado por entidades que representam o setor de
audiovisual brasileiro, que condenaram a redução, em relação a proposta
inicial de Bittar, das cotas destinadas para a produção nacional e nacional
independente na TV a cabo.
As solicitações
dos parlamentares frustraram o relator do PL, Jorge Bittar, que tentava
aprová-lo sem contestações ainda este mês. Como o projeto tem caráter
conclusivo, isto é, pode ser aprovado apenas nas Comissões e remetido direto
para o Senado, caso não haja contrariedades, o deputado buscava limitar a
sua tramitação na Comissão, impedindo que um debate maior fosse travado e
que as contradições fossem expostas.
Bittar até tentou
disfarçar a sua posição de aprovar o projeto a toque de caixa, afirmando que
concorda com um debate maior, mas “desde que não prejudique a nossa agenda”.
Uma das inúmeras
questões que causaram polêmica no relatório é a implementação das cotas que
determinam as programadoras e empacotadoras disponibilizar um percentual
mínimo de canais nacionais e de produções nacionais independentes para os
assinantes. O projeto causou uma reação violenta dos grupos estrangeiros que
pretendem dominar o setor, que chegaram a divulgar comercial na TV paga
afirmando que a produção nacional é de baixa qualidade e que era injusto
obrigá-los a transmiti-los.
Na outra ponta,
quase 40 entidades que representam o setor de audiovisual brasileiro
(cineastas, produtores, atores, entre outros) divulgaram um manifesto
apoiando a primeira versão do projeto, que previa, efetivamente, duas cotas
principais destinando 22% do conjunto do espaço qualificado da programação
(que exclui programas jornalísticos, religiosos, políticos, eventos
esportivos, publicidade, concursos e televendas) para a produção nacional e
14,5% para a produção nacional independente.
No manifesto, as
entidades afirmam que “no Brasil, a indústria da comunicação é movida
prioritariamente por interesses econômicos. Em 2006, o setor de TV por
assinatura arrecadou R$ 5,13 bilhões com publicidade e assinaturas, e foi
responsável pela remessa de R$ 500 milhões de reais ao exterior. São esses
os interesses escondidos atrás da grita das empresas de TV por assinatura.
Nesse contexto, sem medidas positivas, como as cotas para produção nacional
e para produção independente, é muito difícil que outro conteúdo nacional
seja incorporado às programações”.
No entanto - além
de favorecer exclusivamente os setores estrangeiros com a possibilidade de
monopolizarem a TV paga no país – ao ser pressionado contra as cotas, o
deputado recuou ainda mais em seu relatório, apresentando um novo que limita
a presença da produção nacional independente a índices insignificantes.
Agora, o deputado
alterou o percentual da cota número 1 - que destinava horizontalmente 10% à
produção nacional independente - para uma carga horária, estabelecendo 1:15h
por semana, deixando, objetivamente, os produtores nacionais independentes
com apenas 0,68% do total que é transmitido.
A segunda cota
também foi reduzida. Ela determinava às empacotadoras a inclusão de 30% de
canais nacionais sobre a totalidade do pacote, independente do número de
canais (para serem considerados como tal, deveriam conter 50% dos programas
produzidos no país e metade disso advindo de produtores independentes).
Atualmente o
deputado propõe que o percentual seja calculado sobre um máximo de 50
canais, e não mais 30%, mas 25% deste pacote sejam reservados para canais
brasileiros. Além disso, para ser classificado como “nacional”, o canal deve
conter 8 horas diárias de produção nacional (baixando os 50% para 33%),
quatro delas transmitidas em espaço qualificado (16%) e apenas 1 hora
advinda de produção nacional independente (o que rebaixa os 25%
estabelecidos anteriormente para somente 4,1%).
ALESSANDRO
RODRIGUES |