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Atos
liderados pela Central Obreira da Bolívia ocupam ruas de La Paz e Santa Cruz
COB convoca os trabalhadores contra separatistas
na Bolívia
Pedro Montes, dirigente da principal organização dos trabalhadores do país,
destacou que é “dever dos bolivianos garantir a unidade da Pátria”
O
secretário executivo da Central Obreira Boliviana (COB), Pedro Montes, convocou
todos os trabalhadores do país a se unirem contra as manobras separatistas de
alguns governos estaduais que pretendem impor a divisão do país, aprovando os
chamados estatutos autonômicos, em contradição com a lei nacional e à revelia do
governo central.
“Não podemos continuar vivendo como até agora,
devemos buscar uma unidade verdadeira dos trabalhadores que nos permita superar
a crise política, a pobreza e o desemprego, na luta dos verdadeiros bolivianos
por uma pátria unida”, assinalou Montes, acrescentando que “o presidente Evo
Morales deve contar com os trabalhadores, nós não podemos só nos preocupar com
as questões sindicais, precisamos assumir a defesa do país”.
MANIFESTAÇÕES
Milhares de trabalhadores atenderam à convocação
e realizaram atos e marchas tanto em La Paz, como em Santa Cruz, no dia 9.
O sindicalista denunciou o denominado referendo
marcado para o próximo 4 de maio pelo governador Rubén Costas, de Santa Cruz - o
Estado mais rico da Bolívia, onde se encontram as maiores reservas de gás -, por
estar à margem da lei e dos interesses dos trabalhadores.
“Não entendemos como a ‘meia lua’ só pensa em
manter seus privilégios deixando de lado a todo o povo. Nós insistimos em que o
diálogo tem que se impor no país para solucionar os problemas. Mas, não podemos
ficar parados no tempo e não fazer as mudanças necessárias para que a maioria da
população viva com dignidade”, afirmou Julio García, secretário nacional dos
aposentados, se somando à condenação da COB contra o separatismo.
Além de Santa Cruz, os Estados de Tarija, Beni e
Pando também pretendem realizar referendos separatistas. Os quatro compõem a
chamada “meia lua” porque com esse desenho bordejam o país pelo leste,
representando 44% do PIB.
Na segunda-feira passada, durante o encerramento
da 86ª Assembléia Geral dos bispos da Conferência Episcopal Boliviana, que se
realizou na cidade de Cochabamba, os prelados pediram o diálogo para impedir a
divisão da Bolívia.
O porta-voz da Presidência, Iván Canelas, em
coletiva de imprensa em resposta ao pedido do clero, afirmou que o governo está
disposto a construir o diálogo. Canelas expressou que “tomara seja essa a mesma
postura que assumam os governadores, em especial o de Santa Cruz, Rubén Costas”.
A COB saudou o trabalho da Igreja Católica para
ajudar na aproximação das partes em conflito e pediu à “meia lua” apoiar o
diálogo para evitar enfrentamentos sociais. “Não podemos, porém, ficar quietos
esperando que os separatistas fiquem com a iniciativa. Temos que impedir a
divisão do país”, insistiu Montes.
CAMPANHA
As organizações de trabalhadores do campo
instruíram seus filiados em Santa Cruz a organizar a campanha contra a consulta
planejada pelos setores da oligarquia apoiados pelas corporações
norte-americanas de gás e petróleo.
Fortalecidos pelos outros sindicatos da Central
e por entidades juvenis, femininas, de moradores, criaram uma Coordenação
Nacional para mobilizar em rechaço ao golpismo no país andino, que terá sua base
no bairro Plano 3000, na cidade de Santa Cruz.
SUSANA SANTOS |