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Evo denuncia que divisionistas são financiados pelos
Estados Unidos
“Estamos fazendo todos os esforços, da nossa
parte, para impedir a realização do referendo [em Santa Cruz]. É um
movimento separatista, divisi-onista. A nova Constituição, em debate no
Parlamento, propõe a autonomia, desde que seja feita com solidariedade e
eqüidade e não afete a unidade do país. O que querem fazer em 4 de maio
é ilegal e inconstitucional. Dessa forma, não pode acontecer. Vamos
apelar, se necessário, a uma mediação internacional”.
“Denuncio aqui uma clara intervenção dos Estados
Unidos, com apoio financeiro aos separatistas, para desestabilizar meu
governo. Os Estados Unidos, como sabemos, são especialistas em dividir
países. O exemplo mais recente é Koso-vo”, afirmou o presidente Evo
Morales, em entrevista concedida à revista brasileira Carta capital,
publicada na edição de 4 de abril.
“Há uma descarada participação da embaixada
americana na organização do movimento pela autonomia. Estão dando
dinheiro, apoio logístico. Temos provas, afirmou Evo, revelando que
pediu ao presidente Lula que, pelo espaço da diplomacia brasileira,
solicitasse aos americanos que parem com a campanha orquestrada.
O presidente se referiu à inflação que é usada
pela oposição para atacar o governo, assinalando que não compromete nem
o crescimento do país, nem a conquista das melhorias para os
trabalhadores, e que para controlá-la as empresas “primeiro têm de
garantir o mercado interno. O resto você exporta. Em segundo lugar,
precisamos de novos investimentos na produção de arroz, milho, soja,
trigo. Vamos dar crédito aos pequenos produtores sem incidência de
juros. Também daremos créditos a médios e grandes produtores para que
garantam a produção. Vamos construir fábricas”.
Morales declarou que acima de qualquer
reivindicação regional, há a unidade do país. “Vamos fazer tudo que nos
cabe em prol da união. Historicamente, sempre que surge alguém disposto
a se rebelar contra os efeitos do colonia-lismo, reaparece o tema das
autonomias. Esses que agora defendem o referendo estiveram no poder nos
últimos 20 anos, mas não fizeram a autonomia que tanto defendem agora”.
“Os neoliberais nunca falaram disso, nunca se
interessaram, quando estavam no poder, quando davam as cartas neste
palácio. Mas bastou um representante dos indígenas chegar à Presidência
para que essa grita retornasse. É uma questão política”, mostrou,
acrescentando que “na nossa Constituição aceitamos a autonomia dos
departamentos e propomos, como fizemos, as autonomias provinciais e
indígenas. Mas eles se recusam a aceitar esses itens da Constituição.
Não querem a autonomia dos índios. O que isso significa? Querem um
centra-lismo departamen-tal para continuar a ser parasitas do povo? Como
falamos por aqui, eles não querem largar a chupeta. Querem continuar na
mamadeira”. |