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Diretora processará Luiz Lobo por injúria
TV Brasil refuta perseguição e esclarece que jornalista foi
demitido porque queria chegar só depois das quatro da tarde
A diretora de jornalismo da TV Brasil, Helena
Chagas, contestou a acusação de que a demissão do editor-chefe do telejornal
“Repórter Brasil”, Luiz Lobo, teria ocorrido por interferência do governo. A
diretora esclareceu que a demissão se deu por incompatibilidade com a
função, na medida em que ele só se dispunha a trabalhar das 16 às 22 horas.
“Não dá para ser editor-chefe de jornal entrando 16 horas. É incompatível”,
disse.
Para Helena Chagas, o apresentador resolveu
acusar interferência no jornalismo porque “está ressentido” com a demissão.
Luiz Lobo acusou a jornalista Jaqueline Paiva, gerente de telejornais, de
interferência no conteúdo das reportagens. “Não podíamos falar em dossiê,
mas em ‘levantamento sobre uso dos cartões’. Depois, a orientação era falar
‘suposto dossiê’”, alegou em entrevista à Folha de S.Paulo, onde também
reclamou de reparos feitos a uma reportagem sobre falta de verbas para a
saúde.
Helena Chagas explicou que havia orientação para
uso de “suposto dossiê”. “O tempo todo eu pedi ‘suposto dossiê’. Acho que é
mais correto do ponto de vista jornalístico”, assinalou. Sobre a falta de
verbas para saúde, ela apontou “que faltava um detalhe na matéria: faltam os
R$ 30 bilhões da CPMF, em nome do bom jornalismo. Não foi um episódio
político, mas um reparo jornalístico”. “Tudo que está ali (no telejornal) é
responsabilidade minha. Jaqueline não é interventora. Nós demos matérias
sobre o dossiê todos os dias”, observou a diretora.
OMBUDSMAN
O deputado federal Fernando Ferro (PT/PE)
refutou, em pronunciamento na tribuna, a repercussão dada pela Folha de
S.Paulo à demissão do apresentador, na qual o jornal reforçou as alegações
do ex-editor sobre a suposta interferência do governo. Ele salientou que o
mesmo veículo que faz a cobrança, curiosamente traz a notícia de que seu
ombudsman (jornalista que analisa o conteúdo das notícias publicadas) foi
demitido por não concordar com o procedimento adotado pela “Folha”, exigindo
que ele não fosse muito crítico com o que o jornal escreve.
“Não posso deixar que se confunda, no Brasil,
liberdade de imprensa com liberdade de empresários, de empresas que querem
direcionar, ideológicamente, a política com seus instrumentos de imprensa”,
enfatizou Fernando Ferro.
Jaqueline Paiva informou, nesta quarta-feira
(9), que vai processar Luiz Lobo por injúria. Segundo a coordenadora de
telejornais da TV Brasil, o ex-editor-chefe nunca se integrou totalmente ao
trabalho, chegando geralmente após as reuniões de pauta, realizadas às 11
horas. Nelas, com chefes do jornalismo da emissora de Brasília, Rio de
Janeiro e São Paulo, são discutidos os assuntos cobertos ao longo do dia.
“De 50 reuniões de pauta de 16 de janeiro até a saída de Luiz Lobo, ele foi
a sete”, declarou. |