|
Venezuela: siderúrgica que empregava trabalho semi-escravo é
reestatizada
O governo da Venezuela respondeu aos maus-tratos
e humilhação dos trabalhadores na siderúrgica Ternium Sidor, por meio da
reestatização da empresa.
Principal siderúrgica do país, até agora
controlada pelo consórcio ítalo-argentino “Techint”, havia sido privatizada
em 1998, um ano antes da posse do presidente Hugo Chávez.
A decisão foi tomada após a averiguação por
parte do governo das condições de trabalho dos empregados da siderúrgica.
Segundo o vice-presidente venezuelano, Ra-món Carrizales, os trabalhadores
eram “submetidos a um regime semi-escravo”.
Após 16 meses de negociações, entre sindicatos e
representantes da empresa, sobre o contrato coletivo de trabalho, “houveram
propostas e contrapro-postas que consideramos desrespeitadoras para os
trabalhadores, porque ofendem a inteligência de qualquer pessoa”, afirmou
Carrizales.
Os trabalhadores da empresa intensificaram
protestos nos últimos dias, organizando paralisações e greves. Acarigua
Rodríguez, líder sindical da Sidor, afirmou que “o maltrato e a humilhação
por parte da transnacional tem ofendido ao país e aos trabalhadores”. 18
operários morreram em acidentes devido à “incompetência da transnacional”,
afirmou.
Carrizales denunciou que a empresa reduziu
drasticamente o número de trabalhadores, mantendo centenas de empregados sob
o sistema de terceirização, reduzindo os direitos trabalhistas.
Nesse contexto, disse que isso foi comunicado a
Chávez e que ele o instruiu “a lhes informar que o Estado assumia o
controle” e que as condições disso serão definidas em uma negociação
posterior. A estatização será “sem nenhum tipo de atropelo, pagando o que
houver que pagar e indenizando o que se tiver que indenizar”, ressaltou o
vice-presidente venezuelano.
Anteriormente, Chávez advertiu que a Sidor não
abastecia o mercado nacional com os produtos requeridos, “temos que
importá-los da China”, afirmou. Cerca de 63% da produção da siderúrgica é
destinada ao mercado interno e os outros 37% à exportação. Chávez levantara
a possibilidade de emitir um decreto-lei que obrigasse a empresa a garantir
o abastecimento total da Venezuela, antes de poder exportar.
A maior siderúrgica da região andina, tem uma
capacidade para a produção de 4,2 milhões de toneladas de aço anuais.
Segundo Carrizales, a produção da siderúrgica,
era feita com “matéria-prima subsidiada, da mesma forma que a eletricidade”,
ocorria com “uma exploração impi-edosa” dos trabalhadores, que eram
“submetidos a um regime semi-escravo”.
O vice-presidente venezuelano ressaltou que,
mesmo com os subsídios, parte da produção era vendida depois à Venezuela “a
preços internacionais”. |