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Iraquianos
lembram com orgulho da conclamação de Sadam, há 5 anos: “Vamos derrotar o
invasor”
No mesmo dia em que os invasores
norte-americanos tomaram a capital iraquiana Bagdá, em 9 de abril de 2003,
Sadam Hussein reuniu-se com centenas de pessoas em frente à mesquita de Abu
Hanifa, onde afirmou: “prometo ao povo de Adhamia: derrotaremos os
americanos”, relembram os moradores do bairro.
“Ele tinha a coragem dos mártires. Falava com a
gente enquanto helicópteros americanos estavam sobrevoando os céus em sua
procura”, disse o morador do bairro Mohammed al-Obeidi à AFP.
“As imagens que eu vi me lembram agora cenas de
um filme. Era 9 de abril de 2003, uma quarta-feira. Essa data está no meu
sangue. Sadam está no meu sangue”, declarou outro morador, Abu Rima.
“Durante a guerra, Adhamia foi o último bairro a ser tomado pelos
americanos”, disse.
“Estávamos no interior da mesquita, oferecendo
as preces do meio-dia, quando de repente alguém disse que o presidente
estava do lado de fora. Corremos para fora e lá estava ele, em cima de uma
caminhonete”, disse Abu Rima.
“Apenas algumas horas antes dos tanques
americanos entrarem e derrubarem sua estátua, ele estava aqui conosco em
Adhamia e ele não conseguiram encontrá-lo”, acrescentou.
Sadam estava acompanhado pelo seu filho Qusay e
pelo ministro da defesa Sultan Hashim al-Tai.
Qusay Hussein, seu irmão Uday e seu filho
Mustafá, foram assassinados após serem cercados por soldados invasores e
resistirem heroicamente por seis horas, em julho de 2003.
Abu Rima descreve que “uma mulher que estava
próxima a Sadam disse para ele: ‘você parece cansado’. E ele disse a ela:
“Não estou cansado. O Iraque será vitorioso”.
Obeidi declarou ainda que “ele estava cansado,
mas mantinha o carisma. Quando falava para nós eu estava tão agitado que
comecei a procurar por um rifle para atirar pra cima, de forma a celebrarmos
a derrota que iríamos impor aos americanos”.
“Ele partiu de Adhamia na manhã seguinte. Pegou
um bote, atravessou para Kadhimia e desapareceu”, acrescentou Abu Abdullah,
referindo-se ao bairro do outro lado do Rio Tigre. “Nos tempos de Sadam
nunca houve conflito entre sunitas e xiitas”, falou Abu Rima. |