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Entidades denunciam aumento da desnacionalização
do ensino privado
UNE E
UBES querem apressar tramitação no Congresso Nacional do Projeto de Lei que
limita em 30% a participação do capital estrangeiro
Para
impedir a crescente aquisição de universidades particulares por grupos
internacionais, governo e entidades querem apressar a tramitação no Congresso
Nacional do Projeto de Lei que limita em 30% a participação do capital
estrangeiro no ensino particular do país. Pelo projeto, 70% do capital votante
das entidades mantenedoras de instituições de ensino superior devem pertencer a
brasileiros natos ou naturalizados.
“Até
que ponto se retirará do poder público nacional o controle da regulamentação no
país?”, questiona o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota,
condenando a pressão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que a
Educação brasileira seja tratada como mercadoria no Acordo Geral Para o Comércio
de Serviços (Gats). E afirma: “A Educação, na concepção governamental brasileira
é um bem público e um direito, mas não uma mercadoria”, afirma o secretário.
Segundo ele, o aumento do processo de concentração e aquisição de universidades
pelo capital especulativo internacional “é preocupante”.
O
processo de venda de universidades brasileiras para grupos privados estrangeiros
teve início com a aquisição de 51% da Universidade Anhembi-Morumbi pelo grupo
norte-americano Laureate Education, em dezembro de 2005. Desde então, o grupo
Laureate, que detém 23 universidades em mais de 20 países, integrou-se como
“parceiro” à Universidade Potiguar (RN), com 20 mil alunos, e à Faculdade dos
Guararapes, que possui seus cursos, projetos pedagógicos e recursos didáticos
orientados pelo grupo. Segundo Dante Iacovone, presidente da Laureate para o
Brasil, “(essas parcerias) são um primeiro passo para a compra”.
A UNE
(União Nacional dos Estudantes), alerta que essa atuação sem controle do capital
estrangeiro caminha na direção oposta ao que deve significar a universidade na
educação brasileira e pode comprometer o desenvolvimento e o crescimento do
país. “O Estado Brasileiro deve aprovar rapidamente ações que restrinjam a
entrada de capital internacional no ensino superior brasileiro, combatendo a
desnacionalização já em curso, e assegurando que a universidade brasileira,
setor estratégico, continue a ser gerido por setores nacionais, evitando que os
conglomerados internacionais se apoderem de nossa produção tecnológica e da
formação acadêmica”, afirmou Ubiratan Santos, secretário-geral da UNE.
“A
partir do momento em que a Educação está voltada para interesses alheios aos do
país, isto é, de quem tem como principal interesse o lucro, ela perde sua
função. Afinal, para que serve a pesquisa científica, o desenvolvimento de
tecnologias e de estudos de uma universidade, se não para atender ao seu próprio
país?”, questiona a vice-presidente da UBES (União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas) e presidente da UMES-SP, Michelle Bressan.
A
partir da compra pela americana Laureate, as aquisições se intensificaram. Em
2006, foi vendida a Faculdade Jorge Amado (BA), com 10 mil alunos, para o grupo
texano Whitney International Universitu System, que é controlado pelo Best Bank.
Ubiratan Santos denunciou que, ainda em 2005, também foi comprado 68% do grupo
Anhanguera Educacional pelo Banco Pátria que, de acordo com ele, administra um
Fundo de Educação financiado pelo IFC (International Finance Corporation), braço
do Banco Mundial. Quando o grupo foi comprado, a rede possuía 10 faculdades no
interior de São Paulo que reuniam 18 mil alunos. Hoje, três anos depois, o Grupo
passou a dominar 14 novas faculdades, dentre elas, a Faculdade Latino Americana
(GO), Faculdades Integradas de Jacareí (SP), Unibero (SP), Atlântico Sul (RS),
Fênix (SP), Fizo (SP), UNAES (MS), Uniderp (MS), reunido mais de 80 mil alunos. |