|
Centrais debatem ações para reduzir acidentes de
trabalho
“O
problema dos acidentes de trabalho já era grave entre os trabalhadores formais,
com carteira assinada, e nós participamos da campanha contra a LER e outras
doenças profissionais. Hoje, mais grave ainda é a situação dos trabalhadores
informais que, como vemos entre os caminhoneiros, são submetidos a uma jornada
de trabalho inteiramente abusiva e, no caso dos motoboys, que em São Paulo
enfrentam uma verdadeira corrida para a morte”, denunciou Jorge Venâncio,
representante da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) na abertura do
XIV Encontro Estadual da Renast-SP, que reuniu os Centros Estaduais de
Referência em Saúde do Trabalhador e contou com a participação das seis centrais
sindicais.
“Diante
dessa situação há o grave problema da subnotificação que é necessário resolver.
Ter conhecimento dessa situação é o primeiro passo para que possamos enfrentar o
problema, que se torna ainda mais grave porque os monopólios de mídia procuram
ignorar a realidade dos acidentes de trabalho e, nesses casos, frequentemente
ainda colocam a culpa nas vítimas”, disse o representante da CGTB.
Sirderlei Silva de Oliveira, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), atribuiu
os acidentes “ao aumento da velocidade da produção, especialmente na indústria
avícola, em que a exportação cresceu dez vezes enquanto as plantas industriais
apenas duas. A diferença foi suprida pelo aumento da velocidade da linha de
produção dentro dos frigoríficos, o que provocou o aumento dos acidentes de
jovens com idade em torno de 25 anos”.
Em seu
discurso, Flávio Gomes, representando a CTB (Central dos Trabalhadores do
Brasil), destacou a importância da unidade das centrais para enfrentar o
problema, que vem se agravando nos últimos anos. “As empresas nunca ganharam
tanto. O momento é de investir em prevenção e, por isso, é importante criar um
fórum das centrais para produzir uma proposta unificada”, defendeu Helenildo
Queiróz, da Força Sindical. Ele também propôs que o governo realize uma campanha
nacional contra os acidentes de trabalho.
Para o
representante da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), Chico Bezerra,
“é muito importante usar a mídia sindical para estabelecer uma comunicação
própria com os trabalhadores e usar a tecnologia para colocar programas com esse
tema em salas de espera dos médicos e advogados dos sindicatos”. Ele defendeu a
importância de um ato conjunto que será realizado no dia 28 de abril, no Teatro
Municipal, às 11 da manhã, no Dia Mundial de Solidariedade às Vítimas de
Acidentes de Trabalho.
O
representante da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Reginaldo Breda, denunciou
que “a situação da saúde do trabalhador é tratada com descaso pela mídia”. Ele
afirmou que “a UGT está presente na unidade dos trabalhadores para enfrentar
esse problema”.
Durante
o evento ocorreu uma mesa redonda sobre imprensa sindical, que contou com a
participação dos jornalistas Sérgio Gomes, da Oboré, e João Franzin, da Agência
Sindical. Também participaram do evento a dra. Marta Salomão, do Instituto
Adolfo Lutz, representando a Secretaria Estadual de Saúde; a dra.Taís Santos,
representando a Fundacentro e Arnaldo Marcolino, do Conselho Estadual de Saúde. |