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Oposição reúne para se dividir e vocifera contra 3º mandato
PSDB e DEM se
encontraram reservadamente em SP na segunda em busca de um rumo
A cúpula dos tucanos e do DEM reuniu-se
reservadamente no começo da noite de segunda-feira, em São Paulo, para tentar
encontrar um rumo para a atuação da oposição. Os objetivos do encontro eram
dois: tentar acabar com as divergências entre os PSDB e DEM na eleição para a
prefeitura de São Paulo e lançar um movimento contra o terceiro mandato do
presidente Lula. Participaram da reunião da busca de rumos os presidentes do DEM
e do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), os deputados
federais Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), José Aníbal (PSDB-SP) e Rodrigo
de Castro (PSDB-MG), os senadores Marco Maciel (DEM-PE), Arthur Virgílio
(PSDB-AM), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Agripino Maia (DEM-RN) além do presidente
de honra do DEM, Jorge Bornhausen (SC).
Na questão da eleição em São Paulo o resultado
do encontro foi um fiasco. Tucanos e pefelistas saíram da reunião mais divididos
do que entraram. Todos deram declarações de que não será possível nenhum
entendimento que implique na desistência de Kassab em apoio a Geraldo Alckmin ou
vice versa. Rodrigo Maia e ACM Neto foram os mais incisivos na defesa da
manutenção da candidatura do DEM na capital. “É legítimo que Kassab queira
disputar”, disse Maia, enquanto ACM Neto afirmou esperar que Kassab não desista
da candidatura.
Além de não conseguir acabar com a briga dos
dois partidos em São Paulo, a cúpula tucano/pefelista concluiu que o crescimento
do prestígio de Lula junto à opinião pública poderá, se nada for feito até lá,
provocar muitos estragos nas hostes da oposição nas eleições presidenciais de
2010. A tática adotada até agora pela oposição de ficar fabricando, com apoio da
mídia golpista, seguidas crises na tentativa de atingir a figura do presidente
tem sido um desastre. Quanto mais eles batem no presidente mais cresce o
prestígio de Lula. Em fevereiro, por exemplo, na pesquisa CNT/Sensus, a
avaliação do governo foi a maior desde 2003. O índice daqueles que consideram o
governo ótimo e bom subiu de 46,5% para 52,7%. Em março, a pesquisa Datafolha
apontou que a aprovação de Lula chegava a 55%.
Esses números vêm deixando o DEM e o PSDB em
polvorosa. Ao mesmo tempo que cresce o apoio ao presidente Lula e ao seu
governo, a oposição parte para ataques irados ao governo perdendo cada vez mais
espaço. Há quem já aponte que, fruto dessa política, houve um definhamento da
oposição nos últimos tempos. Nas últimas eleições municipais, por exemplo, os
partidos que se opõem a Lula elegeram metade das prefeituras das cem maiores
cidades do Brasil. Hoje, segundo levantamento divulgado na semana passada, eles
não passam de 25. Ou seja, o discurso da oposição não está agradando.
Por outro lado, o sucesso da política econômica,
a criação de milhões de empregos, o fim da entrega do patrimônio público, os
programas sociais de combate à pobreza e as obras do PAC em todo o Brasil têm
tido amplo apoio na sociedade brasileira e vêm colocando em xeque a atuação de
tucanos e pefelistas.
Diante do prestígio do governo e de naturais
apelos, cada vez mais frequentes – todos contra a vontade do presidente, é bom
que se diga -, por um terceiro mandato, os demo/tucanos fecharam um pacto na
reunião para lançar uma campanha para impedir um novo mandato para Lula.
Decidiram que não vão votar nenhuma mudança na legislação eleitoral com medo de
que alguém possa se aproveitar da discussão e apresentar a proposta da
reeleição. “O terceiro mandato não tem sentido. Quando abre para o terceiro
mandato caminha-se para ter quantos mandatos a sociedade quiser”, argumentou
Rodrigo Maia, ao final da reunião, informando que a idéia de lançar o pacto foi
do deputado José Aníbal (PSDB-SP). O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra
(PE), defendeu que, além dos dois partidos não votarem nenhuma mudança na lei
eleitoral, é fundamental a oposição não ficar à reboque da administração
federal. Apesar das críticas, até mesmo de setores do próprio PSDB, à atuação do
partido no Senado, Guerra insistiu que a oposição vai continuar com suas
lambanças.
Essa política defendida pelo senador tucano tem
redundado em consequências curiosas. Um exemplo disso foi a última pseudocrise
fabricada em torno do banco de dados de despesas da Presidência, elaborado pela
Casa Civil. Contendo informações de despesas da presidência atual e de governos
passados, o documento com dados sigilosos foi vazado e entregue ao senador
Álvaro Dias (PSDB-PR) que o plantou na revista “Veja”. A oposição imediatamente
saiu a campo alardeando que o banco de dados era um “dossiê” do governo contra
os tucanos. O objetivo era atingir a ministra-chefe da Casa Civil, e uma das
possíveis candidatas apoiadas por Lula, em 2010, Dilma Rousseff. Passaram a
exigir, então, a presença da ministra no Congresso. O tiro acabou saindo pela
culatra. O resultado do celeuma com o suposto dossiê e os ataques à ministra foi
um crescimento da popularidade de Dilma (ver matéria nesta página). A oposição,
percebendo mais esse estrago, decidiu sair de fininho e já fala até mesmo em
esvaziar o assunto para evitar um prejuízo político ainda maior. Agora é esperar
o “novo eixo” da oposição.
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