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Centrais condenam Copom por alimentar especulação
CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e UGT lançam manifesto para que
BC ouça o clamor do setor produtivo nacional e reduza os jurostc
"CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e UGT lançam manifesto para que BC ouça o clamor do
setor produtivo nacional e reduza os juros"
As
centrais sindicais CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e UGT lançaram terça-feira
manifesto conjunto pela redução das taxas de juros. Intitulado “Copom quer
especulação; centrais querem desenvolvimento com distribuição de renda”, o
documento condena a obsessão do Banco Central com a engorda da parasitagem.
“O
movimento sindical brasileiro quer que o Comitê de Política Monetária (Copom)
reduza a taxa básica de juros em sua próxima reunião. Exortamos o Banco Central,
a quem o Copom é subordinado, a considerar outros fatores ao redor e repensar a
estrutura do sistema de metas, extremamente conservadora”, defendem as centrais.
De
acordo com os sindicalistas, “a taxa de inflação permanece sob controle e ainda
está bastante longe da margem extra de dois pontos percentuais além da meta,
embora o Banco Central insista em afirmar o contrário. As últimas altas de
preços estão ligadas à demanda internacional de alimentos, e uma elevação de
juros no Brasil em nada influenciaria tal movimento. O mercado internacional, a
partir dos Estados Unidos, está reduzindo as taxas básicas de juros – elevá-la
aqui seria um contra-senso. O fortalecimento do mercado interno brasileiro,
observado ao longo dos últimos anos, tem sido nosso principal lastro contra a
contaminação de economia pelos efeitos nocivos da retração norte-americana”.
Na
avaliação das centrais sindicais, “estes são motivos suficientes para demover o
Banco Central da idéia de elevar a taxa Selic, como tem sido especulado”.
“Há
outros, até mais importantes que os já citados, mas que pertencem a um universo
do qual o BC parece não fazer parte, pois até agora jamais deu ouvidos aos
clamores dos trabalhadores e do setor produtivo como um todo. Juros altos
beneficiam apenas o capital especulativo e atraem somente dinheiro volátil, sem
compromisso. Juros altos aumentam a dívida pública. Juros altos seguem na
contramão da produção, do crédito e do consumo. Elevá-los ainda mais seria impor
novos obstáculos ao desenvolvimento com distribuição de renda e valorização dos
trabalhadores e trabalhadoras. Imporia redução no ritmo de geração de empregos.
Elevaria o valor das prestações de produtos que o trabalhador deseja e precisa
comprar”, esclarece o documento, sublinhando: “a imensa maioria do Brasil não
quer juros básicos altos”.
A
elaboração do manifesto foi aprovada durante ato unitário das centrais realizado
segunda-feira em São Paulo, para antecipar-se à decisão do Copom. Os
sindicalistas aprovaram a realização de um Dia Nacional de Lutas e Mobilizações
pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salários e pela Ratificação
das Convenções 151 (que estabelece a negociação coletiva no setor público) e 158
(que põe fim à demissão imotivada) da Organização Internacional do Trabalho
(OIT).
Em
todo o Brasil, no dia 28 de maio, as centrais paralisarão os mais diferentes
setores de atividades e farão mobilizações de rua, para alertar a sociedade e
pressionar o Congresso pela aprovação da agenda da classe trabalhadora.
DESENVOLVIMENTO
De
acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique, “o país vive um momento de
crescimento econômico que precisa se converter cada vez mais em desenvolvimento
sustentável. Uma elevação da taxa de juros no Brasil, no mesmo momento em que os
Estados Unidos reduzem as suas, serviria apenas para inundar o país de capital
especulativo e retrair a atividade econômica, com impactos negativos no salário
e no emprego”. Para Artur, “como as centrais já afirmaram, há necessidade de
ampliar o Conselho Monetário Nacional (CMN), a fim de democratizá-lo e garantir
vez e voz aos trabalhadores nas decisões da política macroeconômica”.
Segundo o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
Antonio Neto, é uma unanimidade entre os mais diversos setores da sociedade o
fato de que não existe motivo algum para o Copom, que irá definir nesta
quarta-feira se aumenta os juros ou mantém no patamar atual. “O país precisa
retomar o processo de redução dos juros para dar seqüência ao crescimento
econômico e à geração de empregos. Manter a taxa de juros neste patamar só irá
piorar ainda mais o processo de valorização do real com a entrada de capital
especulativo, causando prejuízos para as nossas exportações. As supostas
preocupações do BC com uma suposta pressão inflacionária não está relacionada
com o aumento de preços, mas sim com a redução da rentabilidade real dos
especuladores”, afirmou Antonio Neto.
A
luta pela redução dos juros, esclareceu o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira da Silva, “é para impedir que se inverta a tendência de gerar empregos,
pois juros maiores estimulam a especulação, com o empresário colocando dinheiro
no banco, não na produção”.
Também condenando as ameaças do BC, o presidente da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, recordou que “toda vez que o país
cresce, o Copom ameaça aumentar o juro em nome da estabilidade”.
CRESCIMENTO
Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah,
“devemos aproveitar que temos um campo fértil, com crescimento econômico e da
atividade industrial, de geração de empregos formais, de elevação salarial, para
reduzir os juros e a jornada de trabalho”.
Na
avaliação do presidente estadual da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST),
Luiz Gonçalves, o fato de quase 100% das categorias terem conseguido aumento
real de salário demonstra que “os trabalhadores têm trilhado um rumo que precisa
ser reafirmado para garantir a redução dos juros, da jornada e empregos de
qualidade”.
LEONARDO SEVERO |