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Serra entrega
laboratórios de hospitais públicos paulistas à sanha da exploração
privada
O
governador de São Paulo, José Serra, está terceirizando todos os
laboratórios de hospitais públicos do Estado. De acordo com o próprio
secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, o processo
começou há seis meses na capital e na Grande São Paulo e se estenderá às
demais instituições da rede estadual.
As terceirizações
desenfreadas, marca do desgovernador tucano, se transformaram em objeto
de investigação no Ministério Público. Em dezembro do ano passado, o
Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo
entregou um dossiê à Procuradoria Geral de Justiça denunciando
irregularidades nas terceirizações dos hospitais estaduais, como a falta
de contratos próprios e o afastamento dos já escassos funcionários.
Com o objetivo de
barrar o desmonte e a péssima qualidade no atendimento à população, a
pedido da Procuradoria Geral de Justiça, a Comissão de Saúde da
Assembléia Legislativa, que tem com relator o deputado Uebe Rezeck
(PMDB), elaborou um parecer se posicionando contra a terceirização no
Hospital Emílio Ribas. O parlamentar considerou injustificável o
desmantelamento dos laboratórios próprios do hospital e rebateu os
argumentos de José Serra de que a redução de custos demonstra a sua
“preocupação” com a má qualidade dos exames e da “situação” dos próprios
funcionários.
O médico Carlos
Frederico Dantas Anjos, diretor clínico do Instituto de Infectologia
Emílio Ribas, alertou que a decisão de terceirizar o laboratório da
instituição coloca em risco todo o sistema de vigilância epidemiológica
hospitalar. Além do desmonte tucano, o médico afirma que o governo
estadual não dialoga com o corpo clínico do hospital em busca de outros
caminhos que não seja a terceirização. “Há outras formas de reduzir
custos, com metas de qualidade e eficiência. Uma das formas é o uso mais
eficiente dos recursos de custeio, com a centralização de compras de
equipamentos”, apontou.
Ao relatar o caso
recente de uma paciente que procurou o hospital, Anjos esclareceu que
estava de plantão, em um sábado, quando uma mulher com suspeita de
doença coronariana aguda deu entrada no Pronto Socorro do Emílio Ribas.
Entre os exames, foi pedida a dosagem da troponina (exame que detecta a
presença de uma enzima liberada no sangue após lesão do miocárdio). O
fato é que o laboratório terceirizado só entregou o resultado do exame
na terça-feira seguinte. “Quando o exame chegou, ela já tinha feito uma
angioplastia”, sublinhou o médico.
O presidente do
Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Cavalheiras, frisou que já
recebeu inúmeras reclamações dos profissionais sobre as terceirizações
dos laboratórios. “A maioria é sobre atrasos dos exames”, denunciou Cid. |