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Obama: “manter
política atual seria insulto aos americanos”
“McCain
esteve sentado na primeira fileira nos últimos oito anos de políticas
desastradas que aumentaram a desigualdade social e agora ele está prometendo
mais quatro anos da exata mesma coisa”, afirmou o pré-candidato democrata,
senador Barack Obama
Em discurso na capital Washington, na
segunda-feira, 14, o senador democrata Barack Obama afirmou que “verdadeiro
insulto aos milhões de trabalhadores americanos seria a continuação da
agenda econômica que domina Washington nos últimos anos”, em resposta à
falsa polêmica criad a
por seus adversários, segundo a qual, teria insultado habitantes das
cidades pequenas por ter dito, em discurso dias antes, que os problemas
econômicos levaram “amargura” a muitas pessoas. “O povo está cansado de ser
distraído por falsas controvérsias”, acrescentou.
A declaração usada como pretexto para ataques ao
senador democrata tinha sido feita em evento de arrecadação da campanha, no
dia 11, na Califórnia. O pré-candidato Obama, que lidera as prévias de seu
partido e é o principal responsável pela mobilização recorde nestas eleições
primárias do partido, declarara que “nas pequenas cidades da Pensilvânia e,
como em muitas pequenas cidades no Meio-Oeste, os empregos estão indo embora
há 25 anos e nada os substitui. E não é surpreendente que as pessoas fiquem
amarguradas, se apeguem às armas, ou à religião ou a um sentimento
antiimigração, como forma de explicar suas frustrações”.
DEBATE
O candidato republicano, John McCain, contando
com a repercussão da mídia, aproveitou a declaração para acusar Obama de
“elitista” e “arrogante”, em clara tentativa de desviar o debate eleitoral
sobre a crise econômica e acerca da guerra do Iraque – temas constrangedores
para os republicanos, pois são os principais motivos da grande desaprovação
ao governo Bush. A pré-candidata democrata concorrente, Hillary Clinton,
embarcou na onda e passou a endossar a falsificação usada pela campanha de
McCain.
O senador Obama enfatizou no seu discurso que
“os republicanos causaram muito mais prejuízos ao país com os enganos das
políticas desastrosas que escolheram” e, admitiu que pode ter escolhido mal
suas palavras e que certamente, “não foi a primeira vez nem será a última.
Mas quando ouço meus adversários - que passaram décadas em Washington a
apoiar essa política - dizerem que estou fora da realidade, respondo que é
hora de deixar sua retórica de lado e olhar para a realidade”.
“E mais: se John McCain quiser tornar essa
eleição um concurso de qual partido está fora da sintonia com as lutas e as
esperanças do povo e dos trabalhadores americanos, esse é um debate que
ficarei muito feliz em ter. De fato, esse é o debate que acredito que
precisamos ter”, acrescentou o senador democrata.
“McCain esteve sentado na primeira fileira nos
últimos oito anos de políticas desastradas que aumentaram a desigualdade
social e agora ele está prometendo mais quatro anos da exata mesma coisa”,
disse Obama, referindo-se ao apoio do senador republicano às políticas da
Casa Branca durante os dois mandatos de Bush.
O senador democrata continuou ressaltando a
completa identificação de McCain com a desastrosa gestão de Bush: “Ele está
prometendo mais quatro anos de um governo que está nos levando à
privatização do seguro social. Ele está prometendo mais quatro anos de
políticas que não irão garantir o seguro-saúde aos trabalhadores americanos;
que não diminuirão as cada vez mais altas mensalidades das faculdades; que
não fará nada pelos americanos que estão vivendo nessas comunidades, onde os
empregos foram embora e onde as fábricas fecharam suas portas. Ele está
prometendo tornar permanente o corte dos impostos de Bush para os mais ricos
- que não precisam – corte de impostos que são tão irresponsáveis que ele
mesmo [McCain] disse uma vez que ofendiam sua consciência”.
“E apesar disso tudo, o outro lado ainda está
apostando que o povo americano não irá perceber que John McCain está
concorrendo por um terceiro mandato de Bush. Eles pensam que o povo vai
esquecer tudo o que aconteceu nos últimos oito anos; que o povo será levado
a acreditar que eu ou o meu partido é que não está em contato com o que está
acontecendo com suas vidas. Eles estão alimentando políticas tentando nos
dividir para seu próprio ganho político. E eu acredito que o povo irá
perceber que são essas táticas que eles usam todos os anos, em todas as
eleições, para apelar aos nossos medos, às nossas diferenças”, argumentou o
pré-candidato democrata.
MUDANÇAS
Porém, acrescenta Obama, “o povo que eu encontro
durante essa campanha acredita que finalmente é a hora de termos
seguro-saúde disponível para cada americano. Eles acreditam que é o momento
de provermos real apoio às vítimas da crise hipotecária e que possamos
cortar os impostos daqueles que realmente precisam – as famílias de classe
média, aposentados, e pessoas com dificuldades em manterem suas casas”.
“Se eu tiver a chance, é isso o que estarei
discutindo daqui até novembro. Essa é a escolha que iremos oferecer ao povo
americano – mais quatro anos do que tivemos nos últimos oito, ou mudanças
fundamentais em Washington”, finalizou Barack Obama.
RODRIGO CRUZ
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