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Cheney,
Aschcroft, Rumsfeld, Rice e Tenet decidiram sobre tortura a presos em
reuniões na Casa Branca
“Quem imaginaria que nos Estados Unidos, em
pleno século XXI, os altos funcionários do executivo se reuniriam de forma
rotineira na Casa Branca para aprovar a tortura?”, perguntou o senador
Edward Kennedy em comunicado, ao se revelar que o vice-presidente Dick
Cheney, a então assessora de Segurança Nacional Condoleezza Rice, e outros
altos funcionários do governo de George W. Bush autorizaram pessoalmente o
uso da tortura entre 2002 e 2003, e discutiram as técnicas melhores para
cumprir seus objetivos.
“Muito depois que George W. Bush deixe seu
posto, nosso país continuará pagando o preço pelo repúdio irresponsável da
lei e dos direitos humanos fundamentais cometido pelo seu governo”,
assinalou o senador democrata por Massachusetts, irmão do ex-presidente John
F. Kennedy, assassinado em 1963. As críticas vieram pouco depois que uma
reportagem sobre a questão foi divulgada pela ABC News, confirmada mais
tarde pela AFP, na semana passada.
Esses funcionários, acompanhados pelo então
procurador geral John Aschcroft, pelo diretor da Agência Central de
Informações (CIA), George Tenet, e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld,
avaliaram as diferentes técnicas em detalhe – até assistiam apresentações
sobre a forma como se empregavam – durante reuniões presididas por Rice no
chamado Quarto de Situações da Casa Branca.
Entre eles discutiam vários dos “métodos severos
de interrogação” que universalmente são considerados tortura, incluindo a
simulação de afogamento, o waterboarding, mas também o uso de golpes,
bofetadas, privação do sono e outros, revelou a ABC News.
A denúncia assinalou que oficiais da CIA
demonstravam algumas das táticas frente aos reunidos para garantir que
“entenderiam plenamente” ao que seriam submetidos os suspeitos de pertencer
a Al Qaeda.
Os funcionários apontados pediram que o
Departamento de Justiça endossasse a legalidade dessas técnicas para
proteger a todos os que autorizaram e executaram essas medidas. Os
famigerados memorandos que legalizavam a tortura, cujos conteúdos se deram a
conhecer recentemente, foram formulados para esse propósito.
O procurador geral Aschcroft, teria sentido o
perigo de tais reuniões realizadas na sede do executivo dos EUA e teria
questionado, depois de uma dessas reuniões, segundo relato de um alto
funcionário que pediu para não ser identificado: “Por que estamos falando
destas questões na Casa Branca? A história não julgará isso gentilmente”.
O Centro de Direitos Constitucionais (CCR) em
Washington, organização americana que apresenta ante tribunais nacionais
(incluindo a Suprema Corte) os abusos legais do governo de Bush em
coordenação com centenas de advogados, declarou que para as pessoas “cuja
tortura foi explicitamente aprovada nessas reuniões secretas do mais alto
nível, a condenação, no futuro, dos arquitetos do programa de tortura não é
suficiente… merecem justiça”.
A diretora de assuntos legislativos da União
Americana de Liberdades Civis (ACLU), Carolina Fredrickson, disse que “com
cada nova revelação, fica mais evidente como a operação de tortura foi
armada e dirigida desde a Casa Branca. Era o que suspeitávamos desde o
início. O Congresso tem que chegar ao fundo destes informes”.
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