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Diretor-geral da ANP diz que apenas repetiu o que os americanos disseram
Após declarar que as informações de que a
Petrobrás havia descoberto o terceiro maior campo de petróleo do mundo,
denominado de Carioca-Pão de Açúcar, eram provenientes de “canais não-oficiais,
mas oriundos da operadora”, o ex-deputado e diretor-geral da Agência Nacional de
Petróleo (ANP), Haroldo Lima, retificou a versão e passou a sustentar que apenas
ecoou uma notícia publicada pela revista “World Oil”, publicada em Houston,
Texas.
As afirmações de Haroldo Lima causaram forte
especulação com as ações da Petrobrás na Bolsa de Valores de São Paulo,
disparando de uma queda de 1,7% para uma alta de mais de 7% no final do dia.
O diretor da ANP tentou se justificar dizendo
que não houve problema algum quando a revista norte-americana divulgou as
especulações de que o campo havia sido descoberto, mas que as suas palavras
foram utilizadas para causar um sobressalto. “Se os setores especializados dos
Estados Unidos já tinham acesso às informações, não havia por que os brasileiros
não saberem...”, disse o ex-deputado.
Embora tenha ressaltado que integra o governo, o
diretor da ANP não se atentou para este fato, ou seja, que as suas declarações
relacionadas ao setor têm uma repercussão extremamente diferente das
especulações ou suposições de uma revista texana. Tal como ocorreu.
O enlevo de Haroldo Lima causou tamanho
constrangimento no governo, desmentidos e pedidos de cautela que o seu ato não
ficou restrito às páginas dos jornais.
Ademais, não é a primeira vez que um integrante
da ANP ou seu próprio dirigente tomam decisões que prejudicam a Petrobrás ou à
recuperação das reservas petrolíferas nacionais.
Exemplos como a resistência às mudanças
necessárias na legislação a fim de proteger as novas e gigantescas reservas
petrolíferas do pré-sal, preservando os interesses nacionais, ou as tentativas
de limitar a participação da Petrobrás nos leilões para explorar blocos de
petróleo mostram que existe, no mínimo, uma discriminação à estatal.
A 8ª rodada de licitações – que foi suspensa por
decisão judicial – foi feita sob encomenda para favorecer Exxon, Chevron, Shell
e BP, pois determinava que a Petrobrás só poderia adquirir o máximo de 11% dos
blocos em oferta, mesmo tendo sido ela a responsável por pesquisá-los.
Estes problemas motivaram a Aepet a pedir ao
presidente Lula que cancelasse as novas licitações porque, entre outras coisas,
“na 9ª Rodada de Licitações, a ANP disponibilizou às multinacionais dados
confidenciais da Petrobrás. Ou seja, não se tratou de espionagem, mas de
disponibilização ilegal de pesquisas de nossa petrolífera que, por lei, tem que
fornecê-los à ANP. Só que estes dados exigem confidencialidade por 5 anos. Na
rodada anterior, a 8ª, até agora não realizada, a Petrobrás foi limitada a
disputar apenas oito e meio por cento do que estava sendo disponibilizado na
Bacia de Santos, exatamente onde são localizados os campos de Tupi e Júpiter,
integrantes da província do pré-sal”.
Não há dúvida de que as declarações do
diretor-geral da ANP tenham causado tamanho problema devido a más
interpretações. Entretanto, mais do que uma onda de especulações, é preciso
chamar a atenção para o conjunto da obra, que pode deixar seqüelas maiores para
o país.
A.R.
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