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Delfim Netto defende a estatização do BC
“Dado o ‘merchandising’ feito pelo sistema
financeiro, nos últimos dias, pelo aumento da taxa de juros, sugiro duas medidas
imediatas: a estatização do Banco Central e o controle do ingresso de capitais.
Em legítima defesa, apelo para o necessário, mas impossível controle de
capitais. Já que não se pode fazer o que deve ser feito, vamos fazer o errado”,
defendeu o economista Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e ex-deputado
federal, em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Delfim comentou que “há economistas que cometem
a desfaçatez de dizer que pelos seus cálculos será preciso um aumento de no
mínimo 1,75 pontos percentuais na taxa Selic”, mas, “a não ser que o BC saiba de
coisas que ninguém sabe, não há nenhuma prova de que há excesso de demanda que
exija uma ação imediata, mesmo porque não sabemos quais serão os efeitos da
crise americana na economia mundial, se os preços das commodities vão cair, se a
recessão vai pegar a Europa, a China. Se isso acontecer, não será preciso mexer
em nada”.
Sobre o boletim Focus, divulgado pelo BC, Delfim
considerou: “veja que coisa fantástica, como é uma embricação extremamente
delicada. Os informantes do Focus são do sistema bancário. Se você olhar todas
as estimativas do Focus elas crescem milimetricamente. A estimativa de juros
para o fim do ano, porém, teve uma função descontínua. Deu um pulo. Ou seja, o
BC assusta o sistema bancário, este obedece ao BC e ajusta suas expectativas,
mas antes o BC já havia obedecido ao sistema bancário que demandou juros mais
elevados. É uma corrente da felicidade em que o ‘presunto’ é o Tesouro Nacional,
que é onde tudo desaba e faz crescer a dívida interna”, disse.
“Você acha que o sistema bancário aumenta a
expectativa de juros porque está preocupadíssimo com o fato de as expectativas
de inflação terem aumentado de 4,5% para 4,6% este ano? Eles estão interessados
é porque aumentando os juros seu lucro aumenta proporcionalmente e o Tesouro é
que vai pagar isso. Esse que é o ponto”, completou.
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