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Comandante da Amazônia afirma que ONGs
estrangeiras ameaçam soberania
O general Heleno Pereira, comandante do
Exército na Amazônia, afirmou que “as ONGs
internacionais usam os índios como fachada, para
dominarem nossas imensas jazidas de urânio,
nióbio e ouro, confirmadas na área”. Lula criou
comissão para discutir questão da reserva
indígena Raposa Serra do Sol
Na
semana em que o presidente Lula criou uma
comissão de trabalho para discutir os conflitos
entre arrozeiros e índios na reserva Raposa
Serra do Sol, o general Augusto Heleno Pereira,
comandante da Amazônia, se manifestou sobre o
assunto. “A política indigenista brasileira está
na contramão da sociedade, conduzida à luz de
pessoas e ONGs estrangeiras”, afirmou o general
ao discursar no dia 9 num curso sobre segurança
internacional e defesa promovido pela FIESP
(Federação das Indústrias de São Paulo) e USP
(Universidade de São Paulo), no auge dos
conflitos em Roraima.
O general afirmou que “as ONGs internacionais
usam os índios como fachada, para dominarem
nossas imensas jazidas de urânio, nióbio e ouro,
confirmadas naquela área”. E questiona: “Porque
elas não se instalam onde não há jazidas
minerais?”.
Segundo dados do Ministério das Minas e Energia,
a jazida de ouro em Roraima é a maior do mundo,
superando em muito todas as reservas de ouro dos
Estados Unidos. A jazida de nióbio do estado
possui 14 vezes todo o nióbio conhecido no
planeta, com potencial de extração para até 1200
anos. Ainda há jazidas de estanho (cassiterita),
e de diamantes e urânio, que ainda não foram
totalmente mensuradas mas que, a partir de
primeiras medições, superam as jazidas
conhecidas no Brasil.
RORAIMA
Para o general Heleno, ex-comandante das Forças
de Paz da ONU no Haiti, “Roraima está acabando,
porque o território indígena é maior que o do
estado”. E afirma: “Não vou entrar para a
história como o comandante que foi conivente com
a perda de parte do território nacional. Para
mim, soberania e integridade do patrimônio
nacional não têm discussão”.
A Raposo Serra do Sol, uma área de 1,7 milhão de
hectares onde vivem 16 mil índios (uma média de
um habitante por quilômetro quadrado), no norte
de Roraima, na região fronteiriça entre a
Venezuela e a Guiana, foi reconhecida por
Fernando Henrique Cardoso em 1998, e homologada
como reserva indígena contínua pelo governo Lula
em 2005. Os conflitos entre produtores de arroz
e índios que querem a sua retirada vêm se
intensificando desde que a interferência de ONGs
como o Conselho Indigenista de Roraima (CIR),
filiada brasileira da Amazon Alliance – que
congrega as principais ONGs
ambientalistas-indigenistas internacionais - vem
dando as regras na região e liderando a ação dos
índios contra qualquer projeto
desenvolvimentista na área.
Muitos dos pequenos e médios produtores já
deixaram a região, ocupando outras áreas
indicadas pelo governo no próprio estado. Os que
ficaram são os grandes produtores, que estão no
local desde 1976, e ocupam uma área de cerca de
9.200 hectares da reserva.
O general Heleno observou que um indício de que
as ONGs estão por trás da questão indígena é que
muitos índios não têm condições de formular as
reivindicações que fazem. “Há ONGs picaretas
entre as 220 mil que atuam no Brasil”, disse.
“Estão
instalando malocas onde não existem e
distribuindo gado aos índios para, daqui a
alguns anos, alegarem que essa terra sempre foi
indígena”, afirmou sobre uma das atividades
escusas das ONGs na região amazônica.
Para ele, “a cobiça internacional” não se
manifesta por ações explícitas de força. “Ela
age de forma sub-reptícia, pouco transparente e
dissimulada”. Segundo Heleno, “fica difícil
entender por que pouquíssimas ONGs dedicam-se a
socorrer a população nordestina enquanto
centenas delas trabalham junto às populações
indígenas. Algumas, ao que parece, investem
milhões de dólares na região”, diz.
COINCIDÊNCIA
O general afirma ser “muita coincidência que o
mapa das terras indígenas seja o mapa das
riquezas do país”.
Em seu discurso, Heleno Pereira se referiu à
Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas,
aprovada pela Organização das Nações Unidas
(ONU) com voto favorável do Brasil, que entre
outros absurdos restringe atividades militares
em terras indígenas. “Enquanto eu for comandante
militar, minha tropa vai entrar onde for
necessário”, afirmou.
“Segundo
essa disposição, se um chefe ianomâmi resolver
proclamar-se imperador, já que pode escolher o
regime político, vamos ter de acatar sua
decisão”, ironizou o comandante.
A Declaração Universal dos Direitos dos Povos
Indígenas também foi questionada pelo general em
uma entrevista ao Canal Livre, na mesma semana.
Durante a entrevista, Heleno citou alguns de
seus artigos, que garantem aos índios a posse e
controle autônomo de territórios por eles
ocupados e ferem abertamente a soberania e
integridade do país, como:
- “Os indígenas têm direito à
autodeterminação, de acordo com a lei
internacional”.
- “As nações devem respeitar as formas
políticas, sociais e jurídicas de cada povo
indígena”.
- “Os indígenas terão livres estruturas
políticas, econômicas e sociais, especialmente
seus direitos a terras, territórios e recursos”.
- “O Estado deve reconhecer a necessidade de
desmilitarização das terras e territórios dos
povos indígenas”.
Em resposta, o general salientou que no Brasil,
índios, brancos e miscigenados convivem
pacificamente há anos, e ressaltou a importância
de aprofundar a integração das comunidades
indígenas à sociedade.
“Os
índios querem ter TV, geladeira e internet”,
afirmou, citando uma índia que disse seguir a
tradição de seu povo, mas que quer ter os
benefícios do nosso século.
Para o general, “falta respaldo moral” às nações
estrangeiras para quererem fazer recomendações
ao país e em como conservar a Amazônia e tratar
de nossos índios. “A Europa tem 0,3% conservada.
O Brasil, 70%”, disse.
“Desejo
que as ações governamentais caminhem na direção
do desenvolvimento sustentável, da ocupação e da
presença racional e efetiva, e da correta
exploração dos recursos naturais. Nós,
militares, não queremos ser presença solitária
em várias regiões da selva brasileira.
Precisamos que os demais organismos estatais e
privados se juntem a nós para integrar e
desenvolver a Amazônia, sem prejuízos ao meio
ambiente, mas sem abrir mão de usar o que é
nosso”, afirmou.
ANA BRAIA |