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Itália:
partido de Prodi é derrotado por ter mantido arrocho neoliberal
O Partido Democrático do ex-primeiro-ministro
italiano Romano Prodi, cujo gabinete caiu em janeiro deste ano, foi
derrotado nas eleições da semana passada pela coligação encabeçada pelo capo
midiático Sílvio Berlusconi. O partido de Berlusconi – Povo da Liberdade –
chegou ligeiramente na frente do Partido Democrático, que disputou com
Walter Veltroni, um ex-jornalista e ex-prefeito de Roma. Cada um destes dois
partidos - atualmente os dois maiores na Itália – obteve cerca de um terço
do total dos votos, 35,52% e 34,18%, respectivamente.
Em abril de 2006, há dois anos, Berlusconi fora
derrotado por Romano Prodi em meio ao desgaste do primeiro pelo apoio com
tropas à guerra de agressão de Bush ao Iraque e, também, pelo marasmo da
economia – durante todo o governo do dono da Fininvest a economia da Itália
vegetou a uma média de 0,6% ao ano -, pelo desemprego e a pobreza.
A coalizão vencedora com Romano Prodi alinhou
suas diferenças em torno de um manifesto-programa que incluía o cancelar o
plano de aumentar a idade mínima da aposentadoria para 60 anos; retomar o
imposto sobre heranças, combater a pobreza através do aumento da ajuda a
famílias com filhos, entre outros pontos. Na área de política externa Prodi
comprometeu-se em retirar as tropas italianas do Iraque e mudar a política
de submissão ao governo dos EUA.
Na prática, durante os dois anos de duração do
governo do premiê Prodi – que tem mandato de cinco anos – a retirada das
tropas do Iraque foi basicamente o único ponto importante a ser cumprido.
Mesmo na política externa, o novo governo começou a tropeçar em menos de um
ano da posse. A não retirada das tropas engajadas na ocupação do Afeganistão
quase derruba o gabinete já em fevereiro de 2007. Em relação à submissão aos
EUA, o governo Prodi sequer conseguiu impedir a ampliação da base militar
americana em Vicenza.
O desemprego herdado da época de Berlusconi não
foi enfrentado por Romano Prodi. Atualmente, 6,1% da força de trabalho está
desempregada e 13,2% têm contratos temporários. Prodi também não se dispôs a
alterar a chamada Lei 30 que flexibiliza os direitos trabalhistas e afeta
principalmente os jovens, mas não só eles. A mão-de-obra contratada sob essa
Lei recebe salário mais baixo e, pela precariedade, está exposta à chantagem
pois há o perigo de retaliação caso reclame por seus direitos. Walter
Veltroni até propôs, durante a campanha, um pacote de medidas de proteção
aos direitos dos precários e um salário mínimo de 1000 euros - o dos
temporários é de 600 euros. Após dois anos no governo sem enfrentar o
problema, a tese de Veltroni não fez muito sucesso. Ademais, Prodi
concentrou-se em reduzir o déficit público e não priorizou o crescimento,
obtendo crescimento zero neste ano. Pouco antes da eleição, o PIB da Espanha
superou o da Itália. Não deu outra. Prevaleceu a demagogia de Berlusconi.
SEZARIO SILVA
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