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Encontro une autores, gravadoras e rádios
públicas em defesa da boa música nacional
O encontro realizado em
Curitiba, que reuniu autores, produtores independentes e jornalistas denunciou
a monopolização “nociva aos interesses nacionais, que reduz a difusão da
produção musical brasileira, ignorando inclusive nossas riquezas regionais”
praticada por quatro gravadoras multinacionais
Entendemos que o cenário musical brasileiro atravessa um momento esplendoroso e
pujante da criação e produção musicais. No entanto, sofremos há tempo com a
prática de mercado que domina o setor”, afirma a Carta do Paraná: Toque o
Brasil, síntese do 1º Encontro da Música Independente que ocorreu em Curitiba,
Paraná, entre os dias 11 e 13 de abril. O encontro reuniu autores e produtores
de música independente brasileira e denunciou a monopolização “nociva aos
interesses nacionais, que reduz a difusão da produção musical genuinamente
brasileira, ignorando inclusive nossas riquezas regionais” praticada por quatro
gravadoras multinacionais.
O
evento foi organizado pela ABMI (Associação Brasileira de Música Independente),
AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes), UBC (União Brasileira de
Compositores), pelo Governo do Estado do Paraná através da Secretaria da Cultura
e da TV Educativa do Paraná e contou com o apoio da Arpub (Associação das Rádios
Públicas).
“O
nosso compromisso é com o Brasil Nação, não com o Brasil mercado”, afirmou o
governador do Paraná, Roberto Requião, na abertura do evento. Ele denunciou que
“as grandes gravadoras escolhem seis ou setes músicas, em um ano, e as promovem
insistentemente. Querem massificar para poder vender e, desta forma, a qualidade
que sai da multiplicidade dos talentos brasileiros não encontra maneiras de se
expressar”. Para Requião, os autores, cantores, compositores e instrumentistas
da música independente estão “fora do circuito comercial pela massificante ação
das gravadoras que visam apenas os altos faturamentos”.
“Temos
toda uma legislação para defender os direitos autorais, mas não temos um espaço
para que os autores coloquem suas criações”, ressaltou Requião, sobre o boicote
da mídia aos trabalhos produzidos por fora do esquema do “jabá” e das
multinacionais.
Durante
o evento, o governador colocou a Rádio e Televisão Paraná Educativa à disposição
dos músicos e da música independente. “Temos a máquina do Estado, as leis e o
ministério público brigando contra os CDs piratas e música pirateada de todas as
formas, mas não temos a possibilidade de ver a música nacional aflorar na grande
mídia”, disse Requião.
O
presidente da Rádio e TV Educativa do Paraná, Marcos Batista, no discurso em que
recepcionou os participantes destacou o compromisso da RTVE com a produção
musical independente de qualidade. Ele lembrou que a RTVE já vem tendo uma
programação que reflete a diversidade e a qualidade da produção independente
nacional. “A FM da RTVE toca das 9 horas da manhã ao meio dia a mesma quantidade
de músicas diferentes que as FMs comerciais tocam em média durante três meses”.
O
maestro Marcos Vinícius de Andrade, presidente da Associação de Músicos,
Arranjadores e Regentes (Amar), destacou que o Brasil tem uma posição
reconhecida no mundo pela sua música de qualidade. “A produção independente
brasileira está tendo hoje a responsabilidade de ser o ‘bastião’ da cultura
brasileira”, disse. “O que faz a nossa música ser conhecida lá fora é a
qualidade de Pixinguinha, Edu Lobo, Chico Buarque, Tom Jobim, entre outros”,
destacou.
O
encontro reuniu músicos, compositores, arranjadores e produtores como Nei Lopes
(AMAR) Edmundo Souto (UBC), Ednardo, Luciana Rabello (AMAR), Ronaldo Bastos (UBC);
Xico Teixeira e Roberto de Carvalho, presidente da ABMI; a cantora e diretora do
MIS-RJ, Ana de Hollanda; a secretária de Cultura do Paraná, Vera Mussi;
representantes de rádios públicas como Orlando Guilhon, da Arpub, os jornalistas
Mauro Dias, Beto Almeida, Ruy Godinho e Maria Luiza Kfouri; o diretor de música
da TV Brasil, Ricardo Vilas; entre outros.
“O que
se detecta é que há um ponto de estrangulamento muito forte no elo da
distribuição e da comercialização da produção independente, apesar da produção
independente no Brasil ser grande e crescer cada vez mais”, afirmou Frederico
Lemos, diretor-executivo da UBC (União Brasileira de Compositores). Segundo ele,
“de uns anos para cá dentro do nosso país se verificou uma queda drástica dos
pontos de distribuição que, hoje, são poucos, basicamente grandes magazines e
grandes empresas que detém esse monopólio, o que dificulta muito a negociação
entre o produtor e o distribuidor”.
Na
abertura, João Moreirão, vice-presidente da ABMI, hipotecou solidariedade ao
governador pela censura que vem sofrendo e denunciou que “os mesmos monopólios e
a mesma mídia que vêm impondo a censura aos criadores e produtores de música
brasileira de qualidade, e que vêm impondo à sociedade uma censura que a impede
de conhecer a boa música, que é expressão da sua própria cultura, são os mesmos
monopólios e a mesma mídia que vêm impondo a censura ao governador Requião”.
Também
participaram do encontro o radialista Kiko Ferreira (Arpub); Patrick Torquatro (Arpub);
Hildebrando Pontes Neto, advogado especialista em direitos autorais e
ex-presidente do CNDA (Conselho Nacional de Direito Autoral); José Celso,
diretor executivo da ABMI; Carlos Senna (Arpub); os compositores Lea Freira (ABMI),
Carlos Mills (ABMI), Ruy Quaresma, Renato Lucce e Dinart Garcia; o diretor da
Livraria da Travessa (RJ), Pedro Montagna. |