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Para trabalhadores e
empresários, BC lesa crescimento da economia
Centrais
sindicais e entidades da indústria e do comércio afirmam que ‘surto
inflacionário’ virou desculpa para travar investimentos e consumo
A elevação da
taxa básica de juros de 11,25% para 11,75% ao ano, anunciada na última reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, foi repudiada por
trabalhadores e empresários de todos setores da sociedade. Com o aumento de 0,50
ponto percentual, em termos reais - descontada a inflação projetada para os
próximos 12 meses - o Brasil se isola na liderança mundial com taxa de 7,1%,
deixando para trás a segunda colocada, Turquia, com 5,6%.
As centrais
sindicais, que no dia anterior à reunião do Copom assinaram nota conjunta contra
o aumento dos juros, condenaram a decisão. “Juros altos seguem na contramão da
produção, do crédito e do consumo. Elevá-los ainda mais seria impor novos
obstáculos ao desenvolvimento com distribuição de renda e valorização dos
trabalhadores. Imporia redução no ritmo de geração de empregos. Elevaria o valor
das prestações de produtos que o trabalhador deseja e precisa comprar”, afirmam
os dirigentes sindicais da CUT, CGTB, Força Sindical, UGT e CTB.
“É lamentável
que o Copom tenha desprezado a vontade da imensa maioria da sociedade”, repudiou
o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. “Está na
hora de o Banco Central parar de boicotar os esforços do governo e da sociedade
brasileira pelo crescimento”, declarou Antonio Neto, presidente da Central Geral
dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
INDÚSTRIA
Para a
indústria, que acelerou os investimentos nos últimos meses e contestou a
afirmação do BC de que o setor não estaria em condições de suprir a demanda, “o
BC deu início a um processo extremamente perigoso para a economia brasileira”,
alerta o de Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
“A trajetória
atual da inflação permanece dentro da meta estabelecida, não havendo sinais de
alastramento da pressão inflacionária”, afirmou o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro.
Paulo Skaf,
presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) considerou
o aumento um “flagrante de mais uma ação preventiva da autoridade monetária para
impedir o crescimento”. Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de
Janeiro (Firjan) é “discutível o efeito direto dos juros mais elevados sobre os
preços dos alimentos”.
As
associações empresariais seguiram as críticas das federações. Luiz Aubert Neto,
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),
alertou para uma interrupção nos investimentos: “Vários setores com projetos de
longo prazo estão adiando suas decisões”.
Humberto
Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica
(Abinee), se disse revoltado com a retomada da escalada dos juros. “É a primeira
vez que estamos crescendo sem inflação. Agora, ao primeiro espirro, vamos tomar
remédio para pneumonia?”, questionou.
“É muito
preocupante, vai acender o sinal amarelo”, afirmou José Luiz Fernandez,
presidente da Associação Brasileira da Indústria de Mobiliário (Abimóvel). A
entidade ão Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) apontou
que “o controle da inflação virou desculpa para aumentar a taxa Selic”.
COMÉRCIO
O comércio
também se levantou contra o aumento dos juros. “Se esta não for uma decisão
isolada e se estivermos realmente diante de um ciclo de longo aperto monetário,
o Brasil estará condenado ao eterno vôo da galinha, sem conseguir manter os
índices robustos de crescimento do PIB que se verificaram nos dois últimos
anos”, disse Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São
Paulo (Fecomercio-SP). A Fecomercio do Rio de Janeiro destacou que “o Brasil não
precisa de uma terapia preventiva, ainda mais de uma dose do remédio errado”.
“Essa precipitação no aumento dos juros privilegia o capital especulativo,
enquanto o país deveria estar convidando o capital produtivo”, afirmou Alencar
Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo.
Além dos
trabalhadores e empresários, se manifestaram contra a decisão do Banco Central,
membros do governo Lula (v. matérias na página), parlamentares, economistas e o
Partido dos Trabalhadores. Lideranças estudantis da UNE e UBES protestaram em
frente à sede do BC, em Brasília.
Só apoiaram a
decisão do BC, os correligionários de Meirelles, entre os mais empolgados, o
senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). |