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Para presidente do Congresso Brasileiro de Cinema, proposta de cotas do PL 29 é
“tímida, muito tímida”
Nesta quarta-feira (23), a Câmara dos Deputados
realiza uma reunião em comissão geral para debater no plenário o Projeto de Lei
29/07, que trata do setor de audiovisual na TV por assinatura.
Um dos temas que vem causando polêmica é o que
cria cotas
para a produção nacional e nacional independente na TV paga. As
operadoras resistem e lançaram uma campanha assinada pela ABTA, intitulando a
política de cotas de “atentado contra a liberdade de escolha”. Já os cineastas e
produtores nacionais acham que a dita “liberdade de escolha” não existe
atualmente, pois a esmagadora maioria da programação é destinada para produções
estrangeiras e consideram ainda que as cotas estipuladas pelo relatório do
deputado Jorge Bittar (PT/RJ) estão muito aquém do necessário.
Na opinião do presidente do Congresso Brasileiro
de Cinema (CBC), Paulo Rufino, as cotas são um avanço e possibilitarão um
incremento em toda a cadeia do audiovisual brasileiro. “Nós temos que defender a
nossa produção independente. Se mantivermos o sistema atual, estaremos dando uma
cota de 100% para a produção independente estrangeira na nossa tela”, afirmou
Rufino. Segundo ele, “a presença da produção independente nos vários canais de
televisão garante que a pluralidade cultural da vida brasileira chegue à tela e
faz com que finalmente o povo possa se ver como ele é mesmo”.
Questionado se as cotas defendidas pelo deputado
Bittar mudariam alguma coisa, uma vez que são muito pequenas, Rufino afirmou que
acha a proposta “tímida, muito tímida”. Porém, na avaliação do documentarista,
que representará o setor na comissão geral, o fato de trazer a discussão à tona
já foi algo positivo. “Talvez ainda não se tenha chegado a um número final.
Quarta-feira tem uma grande discussão no plenário e talvez os deputados, nos
ouvindo, cheguem à conclusão que 10% é pouco e considerem a possibilidade de
começarmos com 20%. Podemos escalonar um pouco, 10% no primeiro ano, 20% no
segundo e 30% no terceiro ano. A discussão vai começar e nós não somos os únicos
que falam lá, muito pelo contrário, somos os que menos falam”.
Rufino criticou ainda a campanha divulgada pela
ABTA e chamou a atenção para o fato das operadoras falarem em falta de
democracia, mas como donas dos meios de transmissão impedem que opiniões
divergentes das suas cheguem ao telespectador. “Eu sou assinante da TV a cabo e
não tenho nenhum tipo de liberdade de escolha. Dizem que nós [produtores
independentes] não podemos entrar porque isso tira do assinante a liberdade de
escolha... Mas que liberdade de escolha ele tem? E falam isso depois de
defenderem uma cota de 100% para as programações estrangeiras. É uma campanha
insidiosa e inverídica”, completou Rufino, destacando que “a liberdade de
escolha do espectador hoje é zero”.
A.R.
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