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Mugabe conclama o povo em defesa da democracia
“Fomos nós
e não os colonialistas ingleses que estabelecemos a democracia no pais”, afirmou
o presidente do Zimbábue em pronunciamento no ato que celebrou a conquista da
independência
O
presidente Robert Mugabe afirmou: “fomos nós, não os ingleses, que
estabelecemos a democracia baseada em uma pessoa, um voto. Democracia que
rejeitou a discriminação racial e de gênero, e promoveu os direitos humanos e a
liberdade religiosa”, em discurso para 20 mil pessoas que lotaram o estádio
Gwanzura, dia 18 em Harare, para comemorar o 28º aniversário da Independência do
país.
Ele disse que a Inglaterra não tem nenhuma moral
para ensinar o Zimbábue sobre democracia porque os zimbabuanos lutaram contra os
seus colonizadores para trazer a democracia ao país. Porém, disse, “hoje ouvimos
os ingleses dizerem que aqui não há democracia, que as pessoas estão sendo
oprimidas, que há uma ditadura, que nem os direitos humanos nem a lei são
respeitados”, acrecentou o líder do partido Zanu-PF.
“A tentativa dos ingleses de recolonizar o
Zimbábue através de suas marionetes locais nunca terá sucesso”, declarou. “Não
retrocederemos nunca”.
LIBERTAÇÃO
O comandante e herói da luta da libertação
nacional, foi recebido com aplausos, para celebrar “o dia em que nossa Nação
finalmente rompeu as cadeias do colonialismo racista inglês” e conclamou o
Zimbábue a “defender a soberania nacional e nunca sucumbir ao conluio
imperialista que pretende reverter as conquistas de nossa luta de libertação”.
Em discurso para a multidão que carregava faixas
e cartazes em homenagem à independência do país e a seu líder, o comandante
Mugabe conclamou: “Todos nós temos a obrigação de defender nossa soberania. Todo
zimbabuano é independente, porque seu povo é independente e seu povo deve
permanecer independente. O Zimbábue nunca será uma colônia novamente”.
O governo da Inglaterra – que colonizou o
Zimbábue desde o final do século XIX até 1980, ano da libertação - interferiu
diretamente nas eleições do país africano em favor de seu candidato Morgan
Tsvangirai, do MDC. Até um helicóptero pilotado por um cidadão inglês foi
apreendido no aeroporto de Harare, no dia 25 de março, abarrotado de material de
campanha para Tsvangirai. Em troca do apoio dos ex-colonos, o capacho do MDC
prometeu que devolveria aos brancos ex-colonos as terras distribuídas aos
camponeses pobres pela Reforma Agrária do governo do Zimbábue.
EX-METRÓPOLE
O governo inglês também “criticou” a recon-tagem
dos votos em 23 dos 210 distritos, realizadas após denúncias de irregularidades
para beneficiar Tsvangirai, e que levou à prisão 10 funcionários que trabalhavam
para a Comissão Eleitoral e foram comprados para executar fraudes prejudicando o
Zanu. A ex-metrópole, através do ministro de Relações Exteriores, David Miliband,
queria antecipar o anúncio do resultado, atrapalhando o processo e os prazos de
contagem definidos pela legislação do Zimbábue.
O líder africano afirmou no discurso que os
ingleses “estão usando dinheiro para que as pessoas se voltem contra o governo.
Usam o dinheiro como uma arma, literalmente comprando a parte de nossa gente
para votar contra o governo, e para que aceitem ser manipulados politicamente e
abandonem seus direitos”.
“Abaixo os britânicos. Abaixo os ladrões que
roubaram nosso país”.
“Nossa história política é bem conhecida, mas,
com o tempo, nos sentimos mais desafiados a relembrá-la, especialmente para
aqueles que parecem ignorá-la ou estão deliberadamente engajados em reverter
nossa luta de libertação”.
RODRIGO CRUZ |