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Embaixador do Congo no Zimbábue questiona:
“Ex-colonizadores tentam ensinar como devemos conduzir
eleições”
O embaixador da República Democrática do Congo
no Zimbábue, Mawampanga Mwanananga, convocou, no domingo 20, as forças
progressistas da África a “abrir os olhos e ficar alerta, pois nossos
ex-colonizadores estão tentando nos ensinar como devemos conduzir nossas
eleições”.
Mwanananga afirmou que “os países ocidentais não
devem interferir no processo eleitoral zimbabuano” e que “há uma
tentativa de forçar a Comissão Eleitoral a liberar os resultados
prematuramente”.
A declaração do diplomata soma-se à do
presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que declarou, no dia 12, não
existir crise no Zimbábue, defendeu a soberania do país e descartou o
pedido do MDC, apoiado pelo primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, de
intervenção internacional nas eleições do país.
O presidente da Zâmbia e presidente em exercício
da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, Levi Mwanawasa,
também havia declarado na abertura da reunião da Cúpula da entidade, que
reuniu 14 países africanos em 14 de abril, que “a solução das questões
eleitorais do Zimbábue tem que ser aceitas pelo povo do Zimbábue”,
repudiando qualquer ingerência externa sobre o processo eleitoral em
curso.
O diplomata do Congo acrescentou que o Zimbábue
deve resistir às pressões e permitir que o processo eleitoral seja
realizado adequadamente.
“Não apóio as pressões dos países ocidentais
sobre o Zimbábue, pois primeiro pré-julgaram as eleições dizendo que não
seriam livres e justas, mas agora são os primeiros a pedirem os
resultados”, declarou.
O embaixador acrescentou que não há dúvidas de
que as eleições foram realizadas sob condições livres e justas,
evidenciadas pela maioria dos grupos de observadores.
Mwanananga descreveu como fútil a tentativa da
Inglaterra de incluir o Zimbábue na próxima sessão do Conselho de
Segurança da ONU pelo fato da apuração não estar concluída.
“É interessante notar que no ano passado, quando
a Bélgica atrasou os resultados eleitorais em oito meses, não houve
nenhuma menção de colocar o país no Conselho de Segurança da ONU”. Nas
eleições presidenciais de 2000 dos EUA, cujo governo agora quer meter o
bedelho no Zimbábue, o impasse sobre a recontagem na Flórida adiou a
proclamação do presidente por mais de um mês – de 7 de novembro a 13 de
dezembro - sem nenhuma grita da mídia internacional pedindo “pressa”
nos resultados. |