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Fernando Lugo vence eleições no Paraguai ao obter
41% dos votos
Fernando Lugo, ex-bispo que disputou a eleição
pela Aliança Patriótica para a Mudança, conquistou a presidência do Paraguai
(obtendo 41% dos votos), com uma clara vantagem sobre sua mais próxima
adversá-ria, Blanca Ovelar (com 31%), candidata do Partido Colorado, a
organização que governou o país durante 61 anos. Em terceiro lugar ficou o
ex-general Lino Oviedo, do partido Unace com 22% dos votos.
“Vocês decidiram que o Paraguai seja
independente, soberano, livre, que se integre com os países irmãos”, disse o
presidente eleito, em suas primeiras declarações após a jornada eleitoral de
domingo passado, expressando aos seus correligionários mais próximos que
“vocês são os culpados da alegria da maioria do povo paraguaio”. Lugo chamou
a todos a “trabalhar para transformar o conjunto de desafios” do país,
instou “à ação conjunta para buscar soluções estruturais” para problemas
vitais e reconheceu que “os desafios são grandes e a cidadania está
esperando”. O ex-bispo - que assumirá a presidência em 15 de agosto-
afirmou que o “Paraguai é um país interessante, de muitos recursos naturais,
mas mal distribuídos”.
Em declarações à Rádio Mitre, falou também da
difícil perspectiva política “num país governado durante anos pelo
clientelismo, a corrupção e a pobreza”.
A principal questão que se coloca para o novo
governo é superar a estrutura atrasada que o país mantêm, herança da
ditadura de Stroessner. Durante mais de 30 anos – Stroessner que estava no
poder desde 1954, foi tirado do poder em levante liderado pelo general Lino
Oviedo, em 1989 – o país ficou estancado numa economia baseada na soja,
sendo considerado um dos países mais pobres da América Latina. E de lá pra
cá não houve mudanças significativas. A redistribuição da propriedade da
terra é uma das bandeiras de Lugo, prometendo definir “com regras claras,
sem atritos e sem violência”, o “desenho de uma política agrária que inclua
aos sem terra e aos empresários do setor”.
Mas, a questão que Lugo tratou com mais ênfase
foi a exigência de uma renegociação do tratado de Itaipu, que o Paraguai tem
com o Brasil, que permitiu a construção da usina binacional nos anos 70.
Lugo não entanto não enfocou em nenhum momento a
presença norte-americana. Os EUA possuem tropas em exercícios permanentes na
região da Tríplice Fronteira e tentaram implantar uma base em Mariscal
Estigarribia, que só não foi legalizada pela posição contrária dos governos
do Brasil e da Argentina. Os americanos instalaram, porém, na embaixada em
Assunção a mais poderosa estação de rastreamento de sinais de rádio e
espionagem eletrônica na América do Sul, segundo informações do pesquisador
Anibal Miranda, autor do livro “Dossiee Paraguay: Los Dueños de Grandes
Fortunas”. Montada pela CIA ainda na ditadura Stroessner a estação
atualmente com o já manjado álibi de coleta e troca de informações sobre o
narcotráfico. |