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Ação do cartel das
gravadoras visa quebrar identidade nacional
“Se
trata de uma guerra de substituição estética e ideológica no processo de
produção. Se trata da afirmação ou da negação da identidade cultural de um povo
e de um país”, destacou o jornalista Mauro Dias, sobre ação das gravadoras
multinacionais, durante o Encontro da Música Independente
Qual é
a independência que nós queremos?”, perguntou ao plenário o maestro Marcos
Vinícius de Andrade, presidente da Associação dos Músicos, Arranjadores e
Regentes (AMAR), durante o 1° Encontro da Música Independente, realizado em
Curitiba (PR), entre os dias 11 e 13 de abril. E complementou: “Queremos a
independência ligada ao reconhecimento dos direitos de todas as categorias
envolvidas no processo da música, passando pela criação, produção, distribuição,
execução. Queremos a independência que atenda aos interesses maiores da
população brasileira, que atenda aos interesses estratégicos deste país”,
afirmou o maestro Marcos Vinícius de Andrade, presidente da Associação dos
Músicos, Arranjadores e Regentes (AMAR), durante o 1° Encontro da Música
Independente, realizado em Curitiba (PR), entre os dias 11 e 13 de abril.
O
jornalista Mauro Dias ressaltou que “existe necessariamente um antagonismo entre
os independentes e as multinacionais porque se trata de uma guerra de
substituição estética e de substituição ideológica no processo de produção. Se
trata da afirmação ou da negação da identidade cultural de um povo e de um
país”.
Marcus
Vinícius afirmou ainda que “nós precisamos afirmar que independência nós
queremos: não é a independência para simplesmente ficar fora do mercado, adotar
o discurso do gueto. Estamos querendo discutir uma inserção maior, pois isso é
legítimo. É legitimo qualquer gravadora aqui, a Dubas, CPC/UMES, Acari,
Maritaca, pleitearem espaço na grande mídia e no grande mercado”.
HEGEMONIA DO JABÁ
De
acordo com Roberto Carvalho, presidente da ABMI, “os independentes formam hoje
um movimento paralelo ao dos grandes grupos multinacionais. Essas grandes
coorporações impõem distorções na divulgação, a hegemonia do jabá e têm métodos
questionáveis de promoção de seus lançamentos e, por isso, devemos nos
posicionar de forma mais contundente contra esses métodos, pois a produção feita
fora das grandes multinacionais toma vulto cada vez maior e estabelece um padrão
de qualidade que deve ser respeitado”, afirmou.
Já o
vice-presidente da ABMI, João Moreirão destacou que “o monopólio das
multinacionais se apóia em mecanismos objetivos: a ocupação dos espaços das
rádios através do jabá; a agressão permanente, direta ou através de agentes, aos
direitos autorais e a tentativa de transformar o conceito de independente -
conceito que carrega prestígio - em algo vulgar, algo que serve para qualquer
coisa. Porque um dos métodos no campo de luta cultural das multinacionais é
vulgarizar o conceito de independente”. E frisou: “Nós temos orgulho de sermos
identificados como independentes porque temos identidade cultural e compromisso
com a qualidade”.
PRESSÃO DAS MULTINACIONAIS
A
jornalista Maria Luiza Kfouri testemunhou que “como ex-diretora da Rádio Cultura
de São Paulo, sei do esforço, da pressão que a multinacional faz para abafar a
produção independente”. Kfouri denunciou que “quando estava na Rádio Cultura
tive um desentendimento com a Odeon porque queriam que eu tocasse um lançamento
qualquer, acho que era a Banda Mel, eu me recusei porque aquilo não fazia parte
do nosso perfil, da nossa programação. Com isso, eles pararam de mandar para a
Rádio Cultura toda a produção mais antiga de qualidade, como Egberto Gismonti,
Nana Caymmi, ou seja, as coisas que a Rádio Cultura tocaria tradicionalmente”,
relatou.
O
Encontro, organizado pela ABMI (Associação Brasileira de Música Independente),
AMAR (Associação dos Músicos. Arranjadores, e Regentes), UBC (União Brasileira
de Compositores), pelo Governo do Estado do Paraná através da Secretaria da
Cultura e da TV Educativa do Paraná, e contou com o apoio da Arbup (Associação
das Rádios Públicas), reuniu autores, gravadoras, rádios públicas, jornalistas e
produtores. Entre eles, Nei Lopes, (AMAR); Edmundo Souto (UBC); Ednardo; Luciana
Rabello (AMAR); Xico Teixeira; a cantora e diretora do MIS-RJ, Ana de Hollanda;
a secretária de Cultura do Paraná, Vera Mussi; representantes de rádios públicas
como Orlando Guilhon, da Arpub; o jornalista Ruy Godinho; o diretor de música da
TV Brasil, Ricardo Vilas. Estiveram ainda o radialista Kiko Ferreira (Arpub);
Patrick Torquatro (Arpub); Hildebrando Pontes Neto, advogado especialista em
direitos autorais e ex-presidente do CNDA (Conselho Nacional de Direito
Autoral); José Celso, diretor executivo da ABMI; Carlos Senna (Arpub); os
compositores Lea Freira (ABMI), Carlos Mills (ABMI), Ruy Quaresma, Renato Lucce
e Dinart Garcia; o diretor da Livraria da Travessa (RJ), Pedro Montagna. |