Jornalista Beto Almeida condena ação devastadora da ditadura do mau-gosto e do embrutecimento estético

“Como é possível pagar essa imensa dívida cultural que se avolumou contra o povo brasileiro, que se expressa hoje através de uma ditadura do mau-gosto feita pela imposição do Brasil mercado? O Requião colocou aqui uma reflexão que é basilar: é o Brasil Nação ou é o Brasil mercado que queremos?”, questionou o jornalista Beto Almeida, durante o 1º Encontro da Música Independente. E afirmou: “O Brasil Nação está reprimido, pois pede pluralidade, diversidade, regionalização, restringe o oligopólio, restringe o monopólio, e nada do que consta em nossa Constituição foi regulamentado para defender o Brasil Nação. O Brasil mercado é a hegemonia hoje e, nesse Brasil, o que nós temos é a ação devastadora do mercado sobre nossa cultura”.

“Podemos resolver esse problema de pagar essa dívida sem políticas públicas? O mercado resolve? Ou será que o mercado não é sempre, por natureza, excludente, discricionário, selvagem, bárbaro, a não ser se houvesse grande distribuição de renda, grande possibilidade das pessoas comprarem tudo o que quiserem, e nós sabemos que não é isso que temos no Brasil hoje”, argumentou o jornalista.

Para Beto Almeida, “o Estado tem obrigações para com a Nação, e ele as está descumprindo ainda. Começa a cumprir, começa a fazer ensaios de correção de rumo com o surgimento, por exemplo, da TV Brasil. O Brasil Nação tem que garantir a expressão da alma e, para isso, são necessárias políticas públicas como aquelas que nós já tivemos, para que a infância e a adolescência não fiquem sob a ditadura do embrutecimento estético”.

Nesse sentido, ele saudou o surgimento da TV Brasil que “nesse momento abre uma discussão inicial para que os meios de comunicação no Brasil cumpram uma outra função, para que uma TV estatal, uma rádio estatal, possa garantir um espaço público de reflexão e diversidade que está pedida”.

Beto Almeida lembrou a importância de meios de comunicação estatal sempre tiveram no Brasil e em qualquer país do mundo. “A Rádio Nacional, transformada na 4ª maior e mais potente emissora de rádio do mundo, era uma expressão de nacionalidade. As suas crônicas, quem escreviam: Carlos Drummond de Andrade, Nestor de Holanda, Manuel Bandeira, Clarisse Lispector, pessoas dessa natureza. O Estado Nação garantia. O Brasil mercado, não”.


Primeira Página

 

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Cartas

 

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