|
Quércia anuncia que apoiará Kassab na eleição municipal
Já o prefeito de
São Paulo expressou que a sua prioridade é a aliança com o PSDB
O ex-governador Orestes Quércia, presidente do
PMDB de São Paulo, anunciou, na última quinta-feira, apoio à candidatura do
atual prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (Dem), nas próximas eleições
municipais. Kassab, candidato do governador de São Paulo, José Serra (PSDB),
havia, no dia anterior, confirmado para a imprensa o apoio de Quércia,
manifestando que “eu fico muito feliz, porque [o PMDB] é um partido grande e
importante no plano nacional, mas todos sabem que, em primeiro lugar, temos uma
aliança com o PSDB e que para nós é desejável que ela continue”.
Em nota emitida por sua assessoria na noite de
quarta-feira, comunicando o encontro com Kassab no dia seguinte para selar
publicamente o acordo, o ex-governador peemedebista considerou que “na eventual
composição do Democratas com o PSDB, se ficar acordado que caberá ao PMDB
apresentar o nome do candidato a vice-prefeito na chapa de Kassab, será indicado
o nome de Alda Marco Antonio”, mas que tal postulação não é uma condição para o
acordo com o DEM e o PSDB. O acordo dará ao ex-governador a garantia de que
Serra e Kassab o apoiarão para concorrer a uma vaga no Senado em 2010, com
respaldo da aliança demo-tucana.
O PMDB paulista havia, em recente Congresso,
realizado no dia 5 de abril, aprovado a aliança com o PT nas eleições deste ano
em São Paulo. O presidente estadual do PT, Edinho Silva, prefeito de Araraquara,
encetara negociações com Quércia, no sentido de que o PMDB indicasse o candidato
a vice-prefeito, e garantiria apoio ao ex-governador em 2010 para senador.
Já no dia 17 de março, o presidente nacional do
PT, deputado Ricardo Berzoini, afirmara à imprensa que a candidatura da ministra
Marta Suplicy, tendo Quércia como candidato a vice-prefeito, devia ser definida
logo. Um dia antes, o presidente do diretório municipal do PT, vereador José
Américo Dias, declarara que “estamos dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou
a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010”.
Em encontro com Quércia, a ministra Marta
Suplicy concordara com a proposta, confirmando seu interesse na coalizão com o
PMDB. Também o senador Aloizio Mercadante, que concorrerá à reeleição pelo PT em
2010, concordou que a outra vaga de sua chapa fosse ocupada pelo presidente do
PMDB de São Paulo. Avaliando as negociações, o presidente estadual do PT, Edinho
Silva, declarou: “não tivemos nenhum problema no encaminhamento”.
As condições eram, portanto, favoráveis a que o
PMDB, na capital do Estado de São Paulo, empreendesse a aliança com o PT nas
próximas eleições, tal como se verifica nacionalmente, no governo federal e no
Congresso, onde os dois partidos são o núcleo da coalizão que apóia o presidente
Lula.
Por outro lado, Quércia sempre foi o líder da
resistência peemedebista à submissão aos tucanos. Durante os oito anos do
desastroso governo de Fernando Henrique, o ex-governador manteve-se na oposição
ao neoliberalismo e ao entreguismo, coerente com sua trajetória de identificação
com o povo e com as aspirações pelo desenvolvimento nacional - que lhe valeram o
ódio e a difamação por parte, precisamente, de tucanos e outros inimigos do
país. Aliás, Fernando Henrique e Serra saíram do PMDB para fundar o PSDB
acusando Quércia, exatamente em virtude de suas qualidades, que condensavam tudo
o que eles queriam apagar do país: uma política econômica de acordo com os
interesses nacionais, a vontade de ver o Brasil como uma grande nação, a
promoção do bem-estar do povo e, não menos importante, a competência
administrativa, qualidade que, para dizer o mínimo, jamais foi o forte dos
peessedebistas.
Os méritos de Quércia, desde a época da luta
contra a ditadura, quando, então prefeito de Campinas, decidiu enfrentar - e
venceu - uma eleição desigual e difícil para o Senado, considerada ganha por
antecipação pelo candidato oficial, são inegáveis.
Porém, na quinta-feira Quércia preferiu a
aliança com aqueles que historicamente são os inimigos do PMDB e do ideário que
durante muito tempo fez deste partido o mais popular do país.
CARLOS LOPES |