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Multinacional
Merck sabia que Vioxx era nocivo para pacientes antes da proibição
A multinacional
norte-americana Merck tinha conhecimento de que o antiinflamatório Vioxx era
nocivo aos pacientes anos antes da proibição de sua comercialização. Além
disso, o laboratório é acusado de pagar pesquisadores acadêmicos para
assinar estudos feitos pela multinacional que seriam usados como provas da
segurança e eficácia do medicamento.
“Este é um
sinal importante e sério de (violação da) segurança”, afirmou Bruce Psaty,
da Universidade de Washington em Seattle, acerca da ocultação das provas
que, já em 2001, demonstravam os efeitos nocivos do antiinflamatório. O
estudo de Psaty afirma que a Merck deixou de divulgar uma análise feita pela
própria multinacional que demonstrava que pacientes com mal de Alzheimer,
que tomavam o Vioxx, tinham três vezes mais chance de morrer em relação aos
pacientes que tomavam um placebo.
“Se essas
conclusões tivessem sido apresentadas publicamente em Abril de 2001, é
provável que muito menos pacientes tivessem escolhido usar Vioxx, e
provavelmente muito menos deles teriam sido lesados”, completou Psaty,
relembrando que apenas nos Estados Unidos, de 88 mil a 139 mil pessoas
sofreram problemas cardíacos e apoplexias com o uso contínuo do medicamento.
Além dessa
conclusão, um artigo publicado no “Journal of the American Medical
Association”, divulgou que a Merck “contratava” pesquisadores renomados para
assinar estudos, que não eram de sua autoria, sobre o antiinflamatório.
“Essa análise da documentação da indústria relacionada ao rofecoxib
(princípio ativo do medicamento) revela que a Merck recorria
sistematicamente à estratégia de utilizar nomes de aluguel para firmar sua
literatura médica”, destacam os médicos, autores do estudo que foi feito a
partir do exame de uma série de artigos publicados sobre o Vioxx (rofecoxib).
Os médicos
destacam ainda que, também nos documentos apresentados pela Merck durante o
julgamento envolvendo o Vioxx, existem nomes “contratados” para assinar
artigos sobre biomedicina. “Esperamos que nosso trabalho promova a discussão
sobre como melhorar a integridade da pesquisa médica”, afirmou o doutor
Joseph Ross, da Faculdade de Medicina Mount Sinai de Nova York, um dos
autores do artigo que denuncia as táticas utilizadas pela Merck.
O Vioxx foi
retirado do mercado no ano de 2004. Somente em 2003, as vendas do
medicamento geraram US$ 2,5 bilhões para a Merck . O antiinflamatório
começou a ser vendido nos Estados Unidos em 1999 e era comercializado em 80
países. |