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Crise
derruba 77% dos lucros do maior banco
comercial dos EUA
O Bank of América informou sua terceira queda consecutiva nos lucros. O Citibank
revelou perda de US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre de 2008
Os dois maiores bancos do país, o Citibank e o
Bank of América, anunciaram nos últimos dias que seus lucros sofreram prejuízos
trimestrais bilionários.
O Citibank, um dos mais afetados pela explosão
da bolha especulativa das hipotecas, reconheceu que teve uma perda de 5,1
bilhões de dólares nos primeiros três meses do ano. No trimestre passado, o
último de 2007, o conglomerado amargou um resultado negativo de 13 bilhões de
dólares.
Já o Bank of América informou sua terceira queda
de benefícios nesse período. O maior banco comercial dos EUA sofreu uma perda de
77% em seus lucros.
Poucos dias antes, na quinta-feira, dia 18, o
Merrill Lynch havia comunicado a perda de 1,9 bilhões de dólares no trimestre. O
banco está há três trimestres consecutivos com contas em vermelho e acumula
prejuízos próximos aos 15 bilhões de dólares, quantidade superior ao que ganhou
em 2005 2 2006. “Nunca antes, nos 94 anos de história do banco se viveu uma
situação tão ruim”, afirmou Mark Gong-loff, analista de Wall Street.
O Federal Reserve (o BC americano), contrariando
a política que pretende que seja aplicada no resto do mundo, não deixa o
“mercado” resolver livremente os problemas econômicos. Já entregou US$ 360
bilhões em empréstimos para o sistema financeiro desde dezembro passado. Além de
estabelecer juros reais negativos (- 1,75%).
As conseqüências quem sofre são os
trabalhadores. Na terça-feira, dia 22, a agência americana Bloom-berg News
publicou que os grandes bancos de Wall Street já demitiram 48.483 pessoas,
embora vários especialistas assinalam que os cortes superam os 100 mil.
FMI
O insuspeito Fundo Monetário Internacional
divulgou que a perdas com a pirâmide financeira que desabou nos EUA já chegam a
US$ 1 trilhão.
A redução de empregos, salários menores e
direitos cortados, empurrou inúmeras famílias à hipoteca de suas casas para
resolver problemas como dívidas com cartão de crédito, problemas de educação e
saúde, setores para os quais o governo Bush tem realizado cortes sistemáticos.
MANIPULAÇÃO
Para garantir seus lucros extraordinários,
bancos, corretoras, seguradoras e agências de classificação de risco manipularam
essas necessidades, até a pirâmide hipotecária explodir, quando as pessoas não
tiveram mais como arcar com suas dívidas – várias vezes depois de sucessivas
repactuações. Muitas famílias tiveram que entregar suas casas aos bancos, mas as
casas já valiam menos que o empréstimo concedido, que estava calçado em títulos
de classificação AAA, mas sem respaldo real nenhum. Começou uma quebradeira que,
quando atingiu o Bear Stearns (aquele engolido pelo JP Morgan a preço de banana
e com US$ 30 bilhões do Fed cedidos para custear os títulos podres que vinham
junto com a arapuca), não houve mais como abafar.
“Os Estados Unidos estão gastando um trilhão de
dólares até agora para salvar banqueiros, de um modo que é desestabilizador para
a economia. Mas não pode gastar com seguro-saúde ou aposentadoria para todos os
americanos”, denunciou o economista Michael Hu-dson, ex-executivo do Chase
Manhattan (atualmente JPMorgan), acrescentando que “logo após assinar o
fornecimento de um trilhão de dólares para o setor financeiro e imobiliário, o
sr. Henry Paulson [secretário do Tesouro dos EUA] reviveu as afirmações do
governo Bush de que não há dinheiro para pagar a previdência social. Só a
revogação das isenções fiscais de Bush aos 1% dos americanos mais ricos (aqueles
que ganham mais de US$ 414.000,00 por ano), restabelecendo o impostos de 30% da
década de 1990, proporcionaria mais que os 46% que o Comitê de Orçamento do
Congresso estima ser o déficit da previdência”.
SUSANA SANTOS |