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Paraguai:
Pentágono espiona a partir da
Tríplice Fronteira
Alguém imagina que um telefone pode estar sendo
rastrea-do ou o sistema de comunicação de um país sujeito a interferências
externas? Dirão alguns que isso é coisa dos tempos da ditadura. Ledo engano.
Esta possibilidade pode estar acontecendo em plena democracia formal. Como?
No Brasil, escutas telefônicas sem consentimento da Justiça são consideradas
ilícitos penais, os responsáveis por esta prática teoricamente devem
responder pelo que fazem. E então?
Nesta altura destas mal traçadas alguém deve
estar imaginando que se trata de um puro exercício fantasioso ou algo
próximo de visão conspiratória da história.
TRÍPLICE FRONTEIRA
Este alerta ocorre em função de denúncias
segundo as quais no município paraguaio de Mariscal Estigarribia, na
estratégica região do Chaco e muito próximo da Tríplice Fronteira, o
Pentágono montou uma moderna base de comunicação com sofisticada tecnologia
capaz de monitorar um raio de ação que abarca todo o território brasileiro e
muito mais. E o que quer dizer isto? Segundo especialistas, que preferem se
manter anônimos, os técnicos militares estadunidenses que lá estão podem, se
tiverem interesse, por exemplo, grampear algum telefone e mesmo comunicações
na internet. Digamos que amanhã alguém na Casa Branca decida saber o que
Lula anda falando nos bastidores sobre questões de interesse dos Estados
Unidos. Ele ordenará aos técnicos que estão a serviço do Pentágono em
Mariscal Estigarribia a colocar para funcionar o aparato espião. Pode
acontecer o mesmo com qualquer outro cidadão se merecer a atenção dos
espias.
A mídia de um modo geral simplesmente ignora até
mesmo a existência desta base de operações estadunidense. Há dois anos, os
Estados Unidos desmentiram que o Pentágono estivesse montando uma base
militar em território paraguaio. Na verdade, os serviços de inteligência
estadunidenses queriam evitar alarde em torno da questão. Os grandes jornais
brasileiros e as emissoras de televisão não procuraram aprofundar o tema.
Deram destaque ao desmentido e não correram atrás, mesmo depois de algumas
denúncias formuladas.
PARAFERNÁLIA TECNOLÓGICA
Os estadunidenses argumentavam que um pequeno
número de militares circulava no Paraguai somente para a realização de
exercícios conjuntos, autorizados pelo Parlamento (de maioria do Partido
Colorado), e com o objetivo de combater o narcotráfico. Chegaram a afirmar
que os militares estavam ajudando também a prevenir a dengue de tão
bonzinhos que são. Assim funcionou o esquema: moita total e absoluta. No
marketing, os militares que ingressaram no Paraguai eram apresentados dessa
forma, mas, por via das dúvidas, Washington exigiu que o contingente
presente por lá não ficasse sujeito às leis locais. Ou seja, se algum
militar cometesse barbaridades, a Justiça paraguaia não poderia agir contra
o delinqüente.
O tempo passou e nos dias de hoje a quantidade
física de militares estadunidenses propriamente dita é pequena, mas a
parafernália tecnológica está presente, segundo as denúncias, com a
autorização do Presidente Nicanor Duarte Frutos. Em Mariscal Estigarribia há
uma pista de pouso operacional com 3.680 metros de comprimento por 75 de
largura.
Como já foi dito em artigo anterior, no próximo
dia 20 de abril os paraguaios estarão indo às urnas eleger o sucessor de
Nicanor Duarte Frutos. Segundo as pesquisas, não as de O Globo, Fernando
Lugo está na frente e em empate técnico com o general Lino Oviedo, vindo
depois Blanca Alvear. O ex-bispo Lugo promete impedir a continuidade da base
de comunicação estadunidense. Oviedo não aprofundou o tema. A candidata
colorada apóia tudo o que o seu partido decide ou já decidiu. |