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CARTAS
horadopovo@horadopovo.com.br
Raposa Serra do
Sol
Prezados
Companheiros, acho que o General Heleno, até pode ter sido um pouco duro em
seus comentários sobre as Ongs estrangeiras na reserva Raposa Serra do Sol,
mas o que está havendo nas áreas indígenas demarcadas parece-me um
verdadeiro absurdo, pois estão nos tirando para tontos. As riquezas lá
existentes são a verdadeira motivação deste pessoal. Está mais que na hora
de se botar um limite em tudo isso! O Brasil, como um todo, e a região
amazônica em particular, são dos brasileiros. Assim como defendemos o nosso
petróleo, defenderemos nossa Amazônia, nossas riquezas minerais e nossa
capacidade de gerar energia nuclear com toda a tecnologia já conhecida e
disponível. Brasil soberano, independente, desenvolvido e livre é o grande
desejo de seu povo! Abraço.
Marco Aurélio
R. Corrêa, por correio eletrônico.
Manchetes do HP
Quando adquiro o
jornal Hora do Povo, com suas manchetes picantes, fotografo aquelas que mais
enfatizam a minha revolta em relação a grande imprensa golpista.
Fotografei por
exemplo: “Turba quer combater crimes linchando os monstros que criou”,
tratava-se do bárbaro assassinato do garoto João Hélio.
Outra que julguei
importante para fotografar: “FHC não explica compra de pênis de borracha com
verbas sigilosas”.
Sobre a tal CPI
dos cartões corporativos envio a foto da manchete: “Governo protocola CPI e
deixa oposição pendurada na tapioca”. Só mesmo nas manchetes do HP lavo
minha alma. Parabéns.
Lair Estanislau
Alves, BH - Minas Gerais.
Nota da redação:
Obrigado pelos elogios e pela foto. Ela ficará aqui bem guardada em nossos
arquivos.
Pedofilia
Fiquei chocado com
a visita do Papa aos Estados Unidos. Mais de 13 mil crianças foram abusadas
por quase 5 mil padres naquele país. O que o Papa fez? Eu esperava que pelo
menos ele mandasse esses padres embora da igreja. Na verdade, eles mereciam
a cadeia, mas o Papa simplesmente fez orações para quem foi abusado. Ele
deveria tomar uma atitude séria para acabar com esses crimes, mas não faz
nada.
Hussein Hussein
Santos, por correio eletrônico.
Cotas
Sofro quando, em
minha universidade, ouço argumentos contra as cotas. Sou negro, e não fiz
uso das cotas para entrar no ensino superior, simplesmente porque a
universidade em que estudo não utiliza esse método, mas certamente, se fosse
possível, o faria. Nas correntes de discussões sobre esse tema, as pessoas
afirmam que “isso é auto-racismo”, “todos têm a mesma capacidade intelectual
de entrar em uma universidade”, e coisas do gênero. Essas pessoas só
esquecem que é fácil dizer isso quando você se enquadra na classificação
“branco, rico e proveniente de escola particular”.
Existe uma dívida
histórica no Brasil em relação aos negros. Isso está aí para qualquer pessoa
ver. Anos de escravidão formaram um abismo gigantesco entre brancos e
negros, o que resultou, além do preconceito, em uma diferença social enorme.
E não venham me dizer que a diferença se resume a pobres e ricos, ainda
dentro dessa distinção, devido ao racismo, o branco terá mais chances de
mudar a sua situação de vida, do que o negro.
É lógico que a
política de cotas é paliativa e emergencial. A principal mudança deve
ocorrer na estrutura do ensino público. No momento em que o estudante de
escola pública se formar com o mesmo nível de conhecimento do estudante de
escola particular, aí assim as cotas poderão ser extinguidas.
Marcos
Rodrigues, por correio eletrônico.
Jabá
Gostaria de
utilizar as páginas desse jornal para protestar contra um costume que sufoca
o progresso e a divulgação da cultura de qualidade do nosso país, mas que é
muito praticado, o Jabá. A prática das gravadoras de pagar para músicas
serem executadas nas rádios e TVs. A mídia brasileira atrelou a cultura ao
capital, o que prejudica a divulgação da arte legitimamente brasileira e
bela.
O jabá é mais uma
manobra da mídia vendida que tenta empurrar tudo aquilo que nos limita o
alcance de uma consciência mais elevada, tudo aquilo que nos impede de
pensar, tudo aquilo que propõe que achemos que o Brasil é o país das
“Quebra-barraco”, dos “Créu”, dos “Latinos” e de tantas outras aberrações.
A mídia se esquece
que é inegável que o Brasil é o país do Chico, do Cartola, do Tom, do
Vinícius, e de tantos outros que traduzem o que realmente é nosso país. Nós
sabemos disso.
Cleiton Soares,
por correio eletrônico |