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Governo determina controle militar sobre as Ongs
estrangeiras na Amazônia
Ministérios
da Justiça e da Defesa anunciam pacote de medidas para coibir atuação de ongs
“ambientalistas” que servem de fachada para camuflar roubo de pedras, metais
preciosos e de biodiversidade, além de promover pesquisas clandestinas e mapear
nossos recursos naturais a mando dos cartéis estrangeiros
“Há este conceito de que a Amazônia é um lugar livre para
qualquer um, mas a Amazônia é território soberano brasileiro e vai continuar
sendo território soberano brasileiro”, afirmou o ministro da Defesa Nelson Jobim
ao anunciar que o governo federal fechará, nos próximos meses, um pacote de
medidas para que haja um efetivo controle militar sobre as Ongs, grupos
religiosos e outras entidades estrangeiras que atuam na Amazônia.
O pacote integrará uma nova Lei de Estrangeiros, e será
enviado ao Congresso Nacional pelos ministérios da Justiça e da Defesa para
impedir que essas Ongs sirvam de fachada para atividades ilegais. Pelo novo
projeto, pessoas e grupos estrangeiros precisariam de autorização do Ministério
da Justiça e de cadastro no Comando Militar da Amazônia para atuar na região.
Caso sejam pegos sem as autorizações, estariam sujeitos a revogação de visto,
deportação e multa.
A medida visa atingir as Ongs estrangeiras que atuam na
Amazônia promovendo biopirataria, estimulando conflitos em terras indígenas e
mapeando áreas com grandes recursos minerais e reservas de biodiversidade. A
maioria dessas Ongs se esconde sob a fachada de um falso ambientalismo para
escamotear o roubo de material genético, plantas, animais, além de promover
pesquisas para os grandes cartéis de fármacos, patentear frutas e outras
espécies para a indústria de alimentos, contrabandear pedras preciosas e metais
raros de reservas florestais, entre outras agressões à soberania brasileira.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, também havia denunciado
na semana passada que muitas Ongs estão envolvidas com a biopirataria e tentam
influenciar a cultura indígena para expropriar suas terras. A preocupação é
ainda maior nas regiões de reservas indígenas, onde o Exército Brasileiro é
proibido de entrar.
EXÉRCITO BARRADO
“O Exército costuma ser barrado quando quer entrar numa
reserva”, denunciou esta semana em entrevista aO Estado de São Paulo o deputado
federal Aldo Rebelo (PCdoB), defendendo a necessidade de maior controle do
Estado sobre a atuação das Ongs.
O deputado contou a situação que presenciou em visita a uma
maloca na reserva Ianomami: “50 famílias convivendo dentro de um ambiente
fechado, de penúria. Muitos fogos dentro da maloca para as famílias assarem
bananas e mandiocas, muita poluição, muita fuligem, um ambiente com incidência
muito grande de doenças infecciosas. Até tuberculose. Fui recepcionado por uma
moça de uma organização não-governamental, a Ong Urihi. Perguntei por que não se
puxava do pelotão água e luz para dentro da comunidade indígena, o que daria
mais conforto à população. A moça da Ong disse que não, que isso ia deformar o
modo de vida dos índios”.
Aldo Rebelo contou ainda que “nessa visita, o comandante
militar que estava comigo não pôde entrar na área indígena. Um grupo de crianças
jogava futebol, e eu joguei um pouco com elas. Comentei com a moça da Ong: “Pelo
menos o futebol é um fator de integração, pois todos torcemos pela mesma
seleção.” A moça me respondeu: “Não. O senhor torce pela seleção brasileira, e
os índios torcem para a seleção deles.” Nada mais falei e nada mais perguntei”.
Sobre a Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, que se
encontra em conflito, Aldo Rebelo afirmou que “não corresponde à verdade dizer
que há ali, na região, apenas meia dúzia de arrozeiros. Quem já esteve lá, e eu
estive lá mais de uma vez, e quem leu o relatório da Comissão Externa da Câmara
sabe e viu como foram construídos aqueles municípios dos não-índios em Roraima.
Tem gente que chegou lá no século 19 e no início do século passado”.
E defendeu: “No caso da Reserva Raposa do Sol, se a
demarcação incluir os 150 quilômetros da terra que corre junto à fronteira da
Guiana e da Venezuela, a ação do Exército fica muito dificultada, a fronteira
não poderá ser vivificada. A melhor forma de controlar uma região fronteiriça é
construir municípios na área, povoá-la, preenchendo-a com a presença de
brasileiros índios e não-índios, gente que trabalhe, produza, que gere atividade
econômica, política, social e cultural”. |