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13 de Maio foi
fruto de uma ampla mobilização, afirmou Carlos Lopes
O diretor de
redação do jornal Hora do Povo, Carlos Lopes, foi um dos convidados do III
Congresso do CNAB (Congresso Nacional Afro-Brasileiro), no Memorial da
América Latina. Carlos Lopes proferiu palestra sobre o tema “O significado
do 13 da Maio na luta contra a discriminação e o racismo. A participação do
negro da construção da nacionalidade”, que aconteceu no primeiro dia de
congresso.
Segundo Carlos
Lopes, o 13 de maio “foi fundamentalmente um processo altamente positivo, e
pela primeira vez, nós tivemos um povo nesse país”, declarou, destacando o
significado da abolição da escravatura na formação da nacionalidade
brasileira. Ele destacou que, ao contrário do que afirmam alguns setores, o
dia não é “uma data de submissão”.
“A versão de
que a abolição da escravatura foi um ato da princesa Isabel, era
principalmente da direita. E é claro que essa versão é conveniente para a
direita, para a reação, para os conservadores e inclusive para os senhores
de escravos, porque tira dos negros o papel de sujeito da História. Eles
tornam-se apenas passivos. Mas isso não foi o que aconteceu. Se não houvesse
uma tremenda mobilização da sociedade brasileira, seria impossível que se
desse a abolição. Foi a luta do povo brasileiro, e fundamentalmente da
parcela mais genuína do povo brasileiro, que permitiu esse processo”,
explicou Carlos Lopes.
Ele relembrou que
existem muitos líderes no Brasil que acabam por ser marginalizados. “Luís
Gama foi um dos maiores homens que já nasceram no Brasil. Teve uma vida
extremamente difícil e tirou forças disso para enfrentar alguns dos
problemas mais tremendos que a vida pode colocar a um homem. Ele foi
pioneiro em muitas coisas no Brasil, foi, inclusive, o primeiro negro a
publicar um livro. Sua história está marginalizada, e é nosso dever
divulgá-la”, afirmou.
“O CNAB tem
que encampar a luta para que haja o mínimo de desigualdade entre brancos e
negros nesse país. Essa é uma coisa que o 13 de maio não conseguiu resolver,
e seria impossível de fazê-lo”, declarou Carlos Lopes. “Existem leis contra
a discriminação que ajudam. Mas essa bandeira demanda uma mobilização maior,
já que, só lei não basta. Nós temos que lutar em torno de cada discussão,
contra qualquer nível de desigualdade”, completou. |