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Zequinha, um
bicampeão
ARIOVALDO IZAC *
Antigamente, mais
precisamente nas décadas de 50 e 60, treinadores de Seleção Brasileira
tinham que pautar pelo equilíbrio entre Rio e São Paulo para convocação de
jogadores. Imprensa de ambos os Estados pecavam pelo bairrismo reprovável e
por isso via-se, com freqüência, chamados inesperados de jogadores para
integrar o selecionado.
O ex-técnico
Carlinhos - jogador do Flamengo nas décadas naquele período - não esconde a
mágoa de ter sido relegado para a Copa do Mundo de 1962, no Chile, quando o
Brasil conquistou o bicampeonato. Definição política ou não, o certo é que
Zequinha, então volante do Palmeiras, também tinha as credenciais para estar
entre os 22 jogadores relacionados, como reserva de Zito, ex-Santos, quando
comemorou o bicampeonato mundial.
A rigor, segundo o
livro “Seleção Brasileira - 90 anos”, de Roberto Assaf e Antonio Napoleão,
Zequinha participou de 17 partidas pelo selecionado brasileiro, com
retrospecto de 14 vitórias, um empate, duas derrotas, e marcou dois gols.
IMPLACÁVEL
Naqueles tempos,
seria exagero cobrar do chamado médio volante postura de marcador
implacável. Quando muito cercava as jogadas organizadas pelos meio-campistas
adversários e se deslocava para os lados do campo para cobrir laterais. Ele
executava o papel de distribuidor de jogadas. Acionava os laterais e se
apresentava como opção para a continuidade das jogadas.
Essa era,
basicamente, a função do pernambucano José Ferreira Franco, do Palmeiras,
apelidado por Zequinha devido ao tamanho – 1,66m de altura. No entanto, ele
se diferenciava da maioria na posição pela excelente preparação física. Como
corria demais, atrevia-se, com freqüência às “descidas” ao ataque e
finalizava ao gol adversário de média distância, com chute forte.
Zequinha nasceu no
dia 18 de novembro de 1934, em Recife (PE), e jogou no Palmeiras entre 1958
e 1968. Começou a carreira no extinto Auto-Esporte de Recife, na década de
50, depois passou pelo Santa Cruz antes da transferência para a capital
paulista. Já nos anos 60, com a chegada de Dudu, ex-Ferroviária de
Araraquara (SP) ao Parque Antártica, o pernambucano foi para a reserva e, ao
sair do Verdão, ainda jogou respectivamente no Atlético- PR e Náutico.
APOSENTADORIA
Ao pendurar as
chuteiras, fixou-se em Recife, garantiu a aposentadoria, e ainda melhorou a
renda com a aquisição de uma casa lotérica em Olinda (PE), administrada por
pessoas de confiança, pois seqüelas de um derrame limitaram suas atividades.
Saudosista, como a
maioria dos ex-boleiros, Zequinha lembra que no seu tempo o futebol era mais
bonito. “Hoje é a força física que importa e o jogo fica feio”, revela esse
nordestino com histórico de 417 jogos pelo Verdão, com retrospecto de 247
vitórias, 83 empates e 87 derrotas. Foram 40 gols e o orgulho de colecionar
títulos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão), Taça Brasil, Torneio
Rio-São Paulo e Campeonato Paulista de 1959, 1963 e 1966, segundo
informações citadas no “Almanaque do Palmeiras”.
Sem dúvida que o
título paulista de 1959 pelo Palmeiras foi especial, em seu segundo ano de
clube. Na ocasião, atuou num time formado por Valdir de Moraes; Djalma
Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho;
Julinho, Nardo, Américo e Romeiro.
* É jornalista
em Campinas e colaborador do HP |