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Halliburton
controla dados estratégicos da Petrobrás de dentro da ANP
A Agência
Nacional de Petróleo (ANP) contratou a Landmark Digital and Consulting
Solutions, subsidiária da empresa norte-americana Halliburton, para
administrar o seu Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP). A denúncia
foi feita pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).
A Aepet
revelou que um parecer de 2004 da Procuradoria Geral da União determinou a
realização de licitação para que sejam prestados serviços no BDEP, mas a
Landmark continuou contratada pela ANP sem que essa determinação fosse
cumprida.
“A
Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e
produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton
administra o BDEP há dez anos”, afirma a Aepet.
O diretor
da ANP responsável pelo banco de dados é Nelson Narciso Filho. Ele foi
diretor da Halliburton em Angola entre maio de 2005 e junho de 2006. Ainda
nessa condição, teve seu nome aprovado para a diretoria da ANP em votação
secreta da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado, em 23 de maio
de 2006. “Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB –
Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a
Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pelas principais áreas de
atuação da agência reguladora”, diz a Aepet.
Segundo a
Associação, “a raposa está ditando as regras no galinheiro e parece que as
nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser
corrigida o quanto antes”.
Antes de
atuar na Halliburton, Narciso foi gerente geral de uma subsidiária da
multinacional suíça Brown Boveri, a ABB Óleo, Gás e Petroquímica, em Angola,
entre janeiro de 2001 e fevereiro de 2005. Era o responsável pelos contactos
diretos e negociações com a ExxonMobil, ChevronTexaco, BP, Total, Petrobrás,
entre outras companhias.
A Aepet
denuncia que “vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de
uma simples ‘Rainha da Inglaterra’ e ‘garoto propaganda’ da entrega das
áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark (Halliburton) é paga
para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas
realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da
Lei 9.478/97”. |