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Abin: “Veja” não
tem “compromisso com a verdade”
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
repudiou, em nota divulgada na segunda-feira, matéria veiculada pela revista
Veja que acusa o órgão de realizar espionagem ilegal no STF. A Agência
denunciou que a publicação “não praticou jornalismo responsável” ao tentar
envolver, sem provas, o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, em supostas
escutas clandestinas.
A matéria de Veja, recheada de acusação vagas
contra a Abin, baseia-se nas ilações do autor e num relatório produzido pela
secretaria de Segurança do STF a partir de uma inspeção realizada na
instituição em 10 de julho. Depois de confundir leite em pó com Antrax, a
área de segurança do STF anunciou a detecção de um sinal de rádio que seria,
segundo ela, “altamente suspeito” de espionagem. O sinal, conforme o
relatório, vinha de fora do STF e nenhum equipamento ou sinal foi detectado
na parte interna do órgão. Veja diz também que o juiz Fausto De Sanctis, que
apura os crimes de Daniel Dantas, teria tido acesso a trechos de escuta
clandestina. O juiz negou a acusação.
Técnicos consultados pelo colunista Luís Nassif,
consideraram precipitada a conclusão por espionagem. “Se for feita uma
analise espectral nas proximidades do STF nota-se que o espectro está com
uma ocupação de várias faixas de freqüência usados por diversos serviços de
telecomunicações”. “Portanto”, dizem, “tecnicamente foi prematuro tirar tal
conclusão. Para que houvesse alguma tentativa de escuta deveriam ter
encontrado um sinal forte na parte interna, pois o sinal deveria ser
transmitido de dentro para fora na mesma freqüência, sendo que o mesmo
relatório diz que não havia sinais de RF (radiofreqüência) no ambiente
interno”.
A diretoria da Abin destacou em sua nota que
“repudia de forma veemente as afirmativas sobre supostas ações ilícitas
atribuídas a seus servidores, e considera absurdas as ilações e conjecturas
acerca de ‘escutas’, de qualquer natureza, que teria executado em
instalações da Presidência da República, ou no Supremo Tribunal Federal,
restando evidente na reportagem o intuito de desacreditar a entidade pública
e denegrir indistintamente seus funcionários. A Abin não realiza e não
realizou monitoramento de comunicações, em qualquer local público ou
privado”.
No final, a Abin cobra da Editora Abril,
“compromisso com a verdade” e exige que ela “forneça à Corregedoria-Geral
da Abin, ou ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da
República, instância administrativa a que a Agência está subordinada,
elementos concretos em termos de dados, informações, evidências e documentos
que possam relacionar objetivamente as versões narradas na reportagem a
possíveis práticas ilegais atribuídas a seus servidores, de forma a
propiciar à autoridade competente a adoção das providências cabíveis”.
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