Militares condenam proposta de revisão da Lei de Anistia
Militares da reserva e da ativa protestaram
contra a proposta de revisão da Lei de Anistia, para punir acusados de
tortura contra presos políticos, durante o seminário “A Lei da Anistia –
Alcance e Conseqüências”, realizado pelo Clube Militar na última
quinta-feira (7), no Rio de Janeiro. Todos os presentes usavam trajes civis.
Em nota divulgada ao final da reunião, os
presidentes dos clubes Naval, Militar e da Aeronáutica consideraram
“extemporânea e fora de propósito a iniciativa de ministros do atual governo
de se voltar a discutir uma lei cujos efeitos positivos se faziam sentir há
bastante tempo”. “Foi um desserviço prestado ao Brasil e com certeza ao
próprio governo a que pertencem”, diz o texto, referindo-se, sem citar
nomes, à idéia defendida pelo ministro Tarso Genro (Justiça).
Na nota, os clubes militares ressaltaram que o
seminário não tinha como objetivo “a defesa da tortura ou o ataque pessoal a
quem quer que seja, mas o debate de uma lei que instituiu o esquecimento de
atos reprováveis eventualmente cometidos”. Segundo o presidente do Clube
Militar, general Gilberto Figueiredo, os combatentes da resistência à
ditadura terão mais a perder se a Lei da Anistia for questionada. “Os crimes
que eles praticaram estão todos registrados. E as torturas não estão.
Ninguém escreveu: hoje torturei fulano e sicrano. Já os processos contra os
guerrilheiros estão registrados nos tribunais”, disse.
Na platéia estava o comandante do Comando
Militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira Filho, que também não
usava uniforme. O militar se recusou a dar entrevistas, ressaltando que quem
fala em nome do Exército “é o comandante do Exército”. “Eu vim como pessoa
física”, afirmou.
ARCEBISPO
Para o cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Odílio
Pedro Scherer, “é hora de virar a página”. “A anistia, eu acredito, deve
valer para todos. Ela valeu”, declarou. “Não se trata de dizer que crime não
é crime, porém a anistia, quanto às questões políticas, que tenham
implicação política, isso já foi feito, deve valer”, acrescentou D. Odílio,
durante o lançamento para 2009 da campanha da fraternidade da CNBB.