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Alckmin e Kassab se
acusam pelo abandono do Metrô de São Paulo
São Paulo tem menos metrô que Buenos Aires, Santiago, Cidade do México e
mais 37 capitais
O prefeito
Gilberto Kassab (DEM) criticou os números apresentados por Geraldo
Alckmin (PSDB) como supostos investimentos no Metrô de São Paulo. Ele
disse que o candidato tucano fez “declarações equivocadas” e foi omisso
durante sua gestão. “O Alckmin não deve medir os outros pela régua dele.
Por exemplo, em fevereiro de 2002 ele anunciou a construção da Linha 4 e
prometeu terminar a obra em 2006. Atrasou tanto e trabalhou tão mal que
a obra só vai ficar pronta em 2010”, afirmou Kassab. “Fora os erros de
projeto e a omissão na fiscalização”, acrescentou o prefeito,
referindo-se ao desabamento da estação de Pinheiros, na Linha 4.
Geraldo Alckmin,
por sua vez, acusou Kassab de também estar mentindo sobre os recursos
que a administração do DEM diz ter alocado em obras do Metrô. O
ex-governador afirmou que o governo do Estado realizou investimentos sem
a colaboração da prefeitura municipal. Kassab rebateu afirmando que
investiu R$ 1 bilhão nas obras do Metrô durante sua gestão. Mas, segundo
o candidato tucano, o prefeito não desembolsou mais do que 27% desse
valor, o que equivaleria a pouco mais de R$ 60 milhões por ano.
“O objetivo não é
a crítica, o objetivo é colocar o fato”, disse Alckmin. “Até agora, o
que foram capitalizados foram somente R$ 275 milhões. Ótimo se a
prefeitura colocar R$ 1 bilhão”, acrescentou.
Perguntado se
Kassab havia se enganado quanto ao investimento no Metrô, Alckmin
levantou a hipótese de que “talvez ele esteja dizendo que vai colocar
mais”.
A troca de
acusações entre os dois candidatos acabou revelando à opinião pública
que muito pouco tem sido feito tanto por tucanos quanto por pefelistas
para a ampliação do Metrô. Após 13 anos no comando do Estado, os últimos
quatro comandando também a prefeitura de São Paulo, os demo-tucanos
finalizaram pouco mais de 10 quilômetros de metrô.
Só para efeito de
comparação, na administração anterior à do PSDB, capitaneada pelo PMDB,
foram construídos pelo governo do Estado 34 km de linhas de metrô em
oito anos, o que perfaz um ritmo de mais de 4 km por ano. Enquanto que
no governo Alckmin esse ritmo não chegou nem a 1 km por ano. Outro
problema dos tucanos é que, além de construírem pouco, onde o fizeram,
como no caso da Linha 4, as obras foram entregues aos consórcios
privados e apresentaram os resultados desastrosos que toda a população
já conhece.
Alheia à briga
entre tucanos e pefelistas, a candidata Marta Suplicy (PT) anunciou
investimentos de R$ 15 bilhões em transportes na capital, em parceria
com o governo federal (veja matéria nesta página). A candidata também
criticou o descaso do governo Alckmin na questão do transporte. “Não
adianta pôr os quilômetros do Mário Covas na sua própria conta, porque
não são dele”, disse. “Suas acusações não vão sanar a dificuldade que o
governador está tendo de explicar por que foi o governador que menos
metrô construiu”, acrescentou Marta.
ABANDONO
O abandono das
obras do Metrô e o desvio de recursos para a especulação financeira por
parte dos tucanos nos últimos anos vêm provocando um verdadeiro caos no
trânsito de São Paulo. Hoje se leva o dobro, e até o triplo, do tempo
necessário para percorrer os trajetos mais corriqueiros da cidade.
A falta de
investimentos acabou colocando o Metrô da capital paulista na vergonhosa
posição de 41º no mundo, com apenas 61,3 km de linhas e 55 estações. São
Paulo está atrás de cidades como Santiago do Chile, com 80 km, e Buenos
Aires, com 141 km de linhas de metrô. Sendo que a população de São Paulo
é de 10,4 milhões de habitantes enquanto a da capital Argentina não
passa de 2,7 milhões de habitantes.
A solução para o
transporte nas grandes cidades do mundo está na ampliação das linhas de
metrô. Isso já não é dúvida para mais ninguém. Cidades como Madri, com
uma população de 3,5 milhões de habitantes, tem um metrô com 317 km e
316 estações. Paris, com 2,1 milhões de habitantes, tem 213 km de linhas
e 300 estações. Londres, com 7,5 milhões de habitantes, tem 408 km de
metrô e 274 estações.
Não precisamos ir
muito longe para percebermos o descalabro em que colocaram São Paulo. Na
Cidade do México, com uma população de 8,5 milhões de habitantes, o
metrô tem 250 km ante os míseros 61,3 km do metrô paulista.
Além das
dificuldades em explicar a falta de obras no Metrô, Alckmin está tendo
outros problemas em sua campanha. Depois de privatizar a Linha 4 e
assinar o contrato escandaloso (conhecido como porteira fechada) que
previa a fiscalização da obra pelo mesmo consórcio que cavava o buraco,
Alckmin se deparou com o desabamento da estação de Pinheiros, que
provocou a morte de 7 pessoas e mais de 40 famílias ficaram
desabrigadas. Sem concluir a obra, o tucano deixou a batata quente no
colo de seu sucessor.
Apesar de ser do
mesmo partido de Alckmin, José Serra decidiu não apoiá-lo para prefeito.
O constrangimento afastou-o também da campanha de Kassab. Para piorar a
situação, Geraldo Alckmin resolveu trazer o governador de Minas - e
adversário de Serra -, Aécio Neves, para participar de sua campanha.
Aécio e Alckmin
estiveram reunidos reservadamente por cerca de 20 minutos no comitê
eleitoral tucano. Depois do encontro, deixaram o local, sob forte chuva
e, ao lado de Alckmin, o governador de Minas disse que compreendia as
dificuldades e as circunstâncias políticas de Serra.
SÉRGIO CRUZ |