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Nas ruas, milhares aprovam Plano de Lutas
da Plenária Nacional
CUT propõe fortalecer papel do Estado para
aprofundar democracia no país
Com a participação de delegados da
Plenária da CUT e representações de todas as
regiões do país, assembléia na Praça da Matriz
de São Bernardo aprova mobilização em defesa de
um projeto nacional de desenvolvimento com
distribuição de renda e valorização do trabalho
Milhares
de trabalhadores e lideranças sindicais vindas
de todas as regiões do país participaram
sexta-feira, na Praça da Matriz de São Bernardo,
de uma assembléia convocada pela CUT para votar
a pauta debatida durante a 12ª Plenária Nacional
da entidade, realizada de 5 a 8 de agosto na
capital paulista.
Entre os principais desafios da CUT para o
período, frisou o presidente Artur Henrique,
está a disputa pela afirmação de um “projeto de
desenvolvimento nacional, cujo centro seja a
distribuição de renda e a valorização do
trabalho” e a “luta pelo fortalecimento do papel
do Estado, para aprofundar a democracia em nosso
país”.
Em praça pública, os cutistas defenderam uma
política de “combate à inflação com a realização
de uma reforma tributária socialmente justa, com
a redução da taxa de juros e a desoneração da
cesta básica” e propuseram “acelerar a reforma
agrária, fortalecendo a agricultura familiar,
limitando a propriedade rural e atualizando o
índice de produtividade”. Os manifestantes
aprovaram reforçar a pressão em todo o país
sobre o governo federal e os governos estaduais
e o Congresso Nacional pela ampliação de
direitos: “negociação coletiva no serviço
público, contra as demissões imotivadas, livre
organização no local de trabalho, redução da
jornada de trabalho, combate à terceirização e
precarização”. Por aclamação, decidiram lutar
para garantir que os empregos gerados com o
crescimento econômico sejam adequados ao
Trabalho Decente e “defender políticas de
proteção social para estruturação do mercado de
trabalho, com a formalização dos empregos,
universalização da seguridade social pública e o
fim do fator previdenciário”.
A democratização da sociedade, ressalta o
documento aprovado, “é um elemento estratégico
para a disputa de hegemonia e fortalecimento do
projeto sindical cutista”, que se sustenta na
mobilização e participação popular. Para tanto,
enfatizaram, é preciso democratizar os meios de
comunicação e “potencializar a luta pela
institucionalização de mecanismos e instrumentos
de participação dos trabalhadores, a exemplo dos
conselhos, visando a ampliação do controle
social e a consolidação de políticas de Estado”.
O ponto de partida da passeata até a praça foi a
sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O
secretário-geral da CUT São Paulo, Adi dos
Santos Lima, lembrou a importância histórica
daquela esquina da rua João Basso, onde fica o
Sindicato, e a rua Marechal Deodoro.
“Naquele momento de enfrentamento ao regime
militar, quando lutávamos pelo direito básico de
nos organizarmos, lá no final dos anos 1970,
começava essa história de lutas e conquistas que
tanto nos orgulha”, disse. No caminhão de som, o
presidente dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio
Nobre, destacou que a luta, que teve início na
reivindicação de direitos essencialmente
trabalhistas, aprofundou-se e ganhou amplitude.
“Claro que no início, como ainda hoje,
precisávamos de melhores salários, condições
minimamente dignas de saúde e segurança e de
outros direitos, mas nossa batalha constante nos
colocou em outras lutas, por justiça social para
todos, saúde e educação públicas de qualidade,
porque de nada adiantaria termos bons salários
se nossas cidades não tiverem políticas públicas
voltadas aos trabalhadores”, afirmou.
O secretário-geral da CUT, Quintino Severo,
resgatou o caráter plural da entidade e de suas
lutas: “A CUT é o Brasil, refletido nas lutas
históricas e imediatas da classe trabalhadora,
composta por negros, mulheres, indígenas,
camponeses, assalariados e trabalhadores
informais, de Norte a Sul”.
Na chegada à Praça da Matriz, sob intensa chuva,
os dirigentes recordaram emocionados das lutas
ali travadas e da influência da CUT na mudança
que o Brasil experimentou nas três últimas
décadas. O líder metalúrgico José Lopez Feijóo,
da executiva da CUT, ressaltou o compromisso com
as lutas gerais da classe e com a unidade, já
que “a dispersão seria ótima para os patrões e
para muitos governos”. Feijóo convocou a
militância a continuar sendo agente das
mudanças, resgatou a responsabilidade coletiva
com a eleição de um presidente operário e por
fazer avançar o processo.
Artur encerrou o ato, sublinhando o papel de
cada um e de todos com o êxito da Jornada que se
avizinha. |