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Evo Morales
vence referendo em votação histórica na Bolívia
Com 75,17% dos
votos apurados, o presidente Evo Morales recebeu a aprovação de 65% dos
bolivianos em nível nacional: “É para consolidar o processo de mudanças”
O
presidente boliviano Evo Morales e seu vice, Alvaro García Linera, foram
ratificados no referendo revogatório realizado no último domingo. Até a
madrugada da terça-feira, com 75,17% da apuração já concluída, a aprovação era
de 65% dos votos em nível nacional. “Podemos chegar aos dois terços dos votos”,
celebrou Evo, que conseguiu superar o já histórico 53,7% de votos que o elegeu
em 2005.
“Este
percentual provém da grande maioria dos despossuídos, dos humilhados e
esquecidos das terras indígenas. Este triunfo significa um sim à recuperação de
nossos recursos naturais, um sim para a busca de justiça social e de mudança”,
declarou o presidente da Bolívia, referindo-se às transformações que levaram sua
gestão a enfrentar enormes obstáculos e resistências por parte dos
latifundiários e dos setores ligados às multinacionais de hidrocarbonetos.
“A decisão do
povo, não vamos nos enganar, não foi só para me manter no poder. Não foi um sim
para o Evo, independentemente do que o nosso governo fez. É para consolidar este
processo de mudanças”, afirmou desde o balcão presidencial do Palácio do Quemado,
comemorando a vitória. Evo ressaltou que “estamos aqui para continuar avançando
na recuperação de nossos recursos, na nacionalização das empresas, o que é
fundamental na retomada das empresas do Estado”.
Evo festejou
a vitória em Pando, que faz parte da região chamada “meia-lua” - onde a
oligarquia que pregava a separação afirmava contar com a maioria dos votos
estava sendo derrotada. Com 76,44% dos votos apurados na província, Evo estava
com 52% dos votos.
“Pela
primeira vez na história do povo boliviano houve um referendo e contou com a
participação massiva de todo nosso povo”, prosseguiu, e convocou os governadores
que tiveram seu mandato ratificado ao diálogo em um marco de aprofundamento do
modelo nacional independente. Saudou as autoridades nacionais, estaduais,
municipais e os movimentos sociais do campo e da cidade, cumprimentando todos
pela festa democrática vivida na Bolívia.
Depois, em
coletiva de imprensa, Evo informou que “está sendo programada uma série de
projetos para a segunda fase de nosso governo”. Após falar sobre medidas de
ordem energética e tecnológica, o chefe de governo adiantou que algumas delas
serão abordadas na reunião que ocorrerá proximamente entre os chefes de Estado
sul-americanos no Paraguai.
Morales
expressou seu desejo de se reunir não só com os governadores de oposição, mas
também com os prefeitos e organizações “cívicas” do interior do país, onde se
concentram os separatistas, para ouvir suas propostas, neste novo momento.
Morales, com
a Praça Murillo repleta de milhares de pessoas, dedicou também sua vitória a
todos os povos que lutam pela justiça no mundo. “O triunfo da Revolução
democrática da Bolívia e do povo boliviano está dedicado a todos os povos
revolucionários da América Latina e do mundo”.
A Corte
Nacional Eleitoral habilitou 4.047.916 bolivianos em condições de emitir seu
voto, e decidir o futuro do presidente, do vice e oito dos nove governadores. |