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Mahmud
Darwish: o poeta da saga do povo palestino
No
dia 9 faleceu o maior poeta palestino e um dos mais importantes poetas
árabes contemporâneos, Mahmud Darwish. “Não é exagero dizer que Mahmud
Darwish foi quem resgatou o estilo literário árabe”, afirmou o sírio Subhi
Hadidi, crítico de poesia e literatura árabe.
A poetisa
Naomi Shihab Nye, filha de palestinos e nascida nos Estados Unidos,
condensou com as seguintes palavras a contribuição de Darwish: “A respiração
essencial do povo palestino, o testemunho eloqüente do exílio e da
pertinência, especialmente sintonizado cantor que evoca, conecta e joga uma
luz brilhante sobre o coração do mundo. O que ele fala é abraçado por
leitores em todo o mundo – é uma voz absolutamente necessária, e uma vez
ouvida é inesquecível”.
É dele a
obra que se transformou no maior símbolo literário do orgulho palestino, o
poema “Carteira de Identidade”, onde recita uma conversa imaginária entre um
operário árabe e um policial israelense que lhe pede documentos, do qual
reproduzimos trechos:
“Registra-me/ sou árabe/...../ trabalho com meus companheiros de luta/ em
uma pedreira/…../ arranco das pedras/ o pão, as roupas, os cadernos/ e não
venho mendigar em tua porta/...../ minhas raízes/ fixadas antes do
nascimento dos tempos/ antes da eclosão dos séculos/.…./ meu endereço/ sou
de um povoado perdido...esquecido/ de ruas sem nome/ e todos os seus
homens…no campo e na pedreira/ amam o comunismo/ vais te irritar por acaso?”
Darwish
foi o precursor de uma geração de autores da vertente denominada Poesia
Palestina de Combate, surgida após a ocupação de 1967, que inclui os
palestinos Samikh Al Qassem, Fadwa Tukan e Tawfiq Al Zayad. Também
influenciou a poesia árabe contemporânea e teve sua obra musicada por
compositores de diversos países do Oriente Médio.
Autor de
30 livros de poesia e 8 de prosa, recebeu o prêmio Lênin da Paz (URSS), o
Lótus de Literatura Africana e Asiática e da Fundação Lannan de Liberdade
Cultural (EUA), entre outros.
Nascido
em 1941, testemunhou a destruição de sua aldeia, Al Birweh, durante a
implantação do Estado de Israel. Aos 19 anos ingressou no Partido Comunista
e, ao iniciar estudos em Moscou, em 1970, teve seu retorno a Israel
proibido. Exilou-se no Líbano, onde ingressou na Organização para a
Libertação da Palestina, da qual fez parte da executiva.
Por sua
sensibilidade e reconhecimento mundial, Darwish foi convidado a redigir a
Declaração de Independência da Palestina, que afirma em um de seus trechos:
“Diante dos nossos mártires, diante das massas do povo árabe palestino,
diante de nossa Nação Árabe e diante de todos os homens que amam a paz e a
dignidade no mundo, juramos prosseguir a luta para por fim à ocupação e
estabelecer nossa soberania e nossa independência. Conclamamos nosso grande
povo a se unir em torno da bandeira palestina...símbolo de nossa dignidade
em uma pátria livre para um povo de homens e mulheres livres”.
O funeral
do poeta foi organizado pela Autoridade Nacional Palestina em Ramallah,
honraria só concedida antes ao patriarca Yasser Arafat. O presidente
palestino Mahmud Abbas decretou três dias de luto oficial. |