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Rússia detém
limpeza étnica da Geórgia na Ossétia do Sul
A reação russa foi determinada
pelo primeiro-ministro Putin após os EUA terem recusado na ONU uma resolução
que determinava a interrupção do ataque cometido pela Geórgia e a renúncia
ao uso da força para buscar a solução da questão
Saiu pela culatra a operação de limpeza étnica desencadeada pelas tropas do
serviçal dos EUA na Geórgia, Mikhail Saashakali, contra a população da
Ossétia do Sul, e que devastou a capital Tskhinvali, matou centenas de
pessoas e uma dezena de soldados da força de paz na região. Fulminante ação
do exército russo, que chegou a socorro dos civis e da força de paz em vigor
na região desde 1992, deteve a chacina, expulsou da cidade os agressores e
desbaratou a intenção de estender até lá o enclave dos EUA no Cáucaso.
Como apontou o ex-subsecretário do Tesouro do governo Reagan, Paul Craig
Roberts, a Geórgia é, virtualmente, “uma colônia dos EUA”. Tornou-se o
terceiro maior contingente de tropas no Iraque – 2 mil -, agora repatriados
às pressas por aviões de transporte dos EUA. E seu exército é treinado por
mais de uma centena de “conselheiros militares” norte-americanos. Ao que
tudo indica, o “assalto final” à Ossétia foi ensaiado na recém-finalizada
operação conjunta entre tropas dos EUA e do enclave, sob o pretexto de
“treinamento para o Iraque”. Em abril, os EUA articularam, mas não
conseguiram, o ingresso da Geórgia na Otan.
Saakashvili usou aviões e artilharia contra a cidade de Skhinvali, que
destruíram o parlamento, hospitais, prédios residenciais, escolas, fábricas
e creches. Uma idosa, que se refugiou num porão durante o bombardeio,
relatou como o neto de 7 anos que a acompanhava gritava. “Tio Putin, por
favor nos ajude para que os georgianos não me matem”. “Foi um pesadelo”, ela
acrescentou, mas “graças a Deus os russos chegaram e está melhorando”.
Aldeias inteiras foram arrasadas; ambulâncias que tentavam prestar socorro
foram atacadas a tiros.
Tratou-se de um verdadeiro “genocídio”, denunciou o primeiro-ministro russo
Putin, que afirmou que “os governantes georgianos usaram tanques para
atropelar crianças e idosos” e “jogaram civis em porões e os queimaram”. De
acordo com as autoridades da Ossétia, foram assassinados mais de 1600 civis.
Milhares procuraram refúgio na vizinha Ossétia do Norte. República autônoma
desde os tempos da União Soviética, a Ossétia do Sul levantou-se em armas
contra o domínio georgiano, quando da dissolução do grande país socialista,
o que levou a uma trégua assinada em 1992 e envio de uma força de paz russa,
em comum acordo entre as partes. O mesmo ocorreu na Abkházia, outra
república autônoma de maioria de russos.
Desde a contra-revolução “rosa”, que substituiu os gorbachovistas por
lacaios ainda mais extremados dos EUA, a Geórgia – terra de Joseph Stalin –
se viu transformada no centro da intervenção dos EUA no Cáucaso, e da
atuação das Sete Irmãs no assalto ao petróleo do Mar Cáspio. A reação russa
foi determinada pelo primeiro-ministro Putin após os EUA terem recusado na
ONU uma resolução que determinasse a interrupção, pelo regime da Geórgia, do
ataque, a renúncia ao uso da força para solução da questão, e a volta às
posições prévias. O caráter da provocação fica ainda mais evidente com sua
“coincidência” com a abertura das Olimpíadas de Pequim, como registraram
agências de notícias russas.
E como é muito difícil alguém acreditar que um lacaio como Saashakali
achasse que suas tropas fossem páreo para o exército russo, resta perguntar
por que então ele cometeu o ataque que arrasou Tskhinvali. Para não fazer
tal pergunta, vários jornais europeus consideraram a decisão de arrasar a
capital osseta “um erro de cálculo” sobre a determinação da Rússia. Outros,
limitaram-se a apontá-lo como “uma aventura”. Ou, quem sabe, uma mãozinha de
Bush para esquentar a campanha presidencial de John McCain, ao criar uma
crise com a Rússia. O site especializado em questões estratégicas, Stratfor,
assinalou que a ação do exército russo marca a volta da Rússia ao seu papel
de “grande potência” depois de “ter sido tratada como lixo” pelo Ocidente
por duas décadas.
ANTONIO PIMENTA
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