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Média de juros para empréstimos no Brasil é de 43,2% ao ano
Fiesp: spread dos
bancos e taxa do BC comprometem indústria
Spread para
operações de capital de giro aumentou 22,9% no mês de outubro
“Esse valor do
spread associado à Selic tem como resultado as maiores taxas de juros do mundo e
compromete a competitividade da indústria brasileira”, diz o estudo sobre custo
do capital realizado pelo diretor do Departamento de Competitividade e
Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho.
Com essa
explosiva conjugação, a taxa média de juros para empréstimos no Brasil é de
43,2% ao ano, enquanto que a taxa média dos juros em 42 países é 9,2% ao ano.
Em volume de
recursos, no Brasil o spread – diferença entre o custo de captação e o juro
cobrado pelo repasse aos clientes - custa por ano R$ 33,4 bilhões para a
indústria de transformação, segundo o levantamento feito por Coelho. Caso o
spread fosse igual ao dos demais países, custaria R$ 7,6 bilhões, uma diferença
de R$ 25,8 bilhões, “que representa 109% do gasto em P&D e 7% do valor do
investimento (FBCF)”. Os custos dos juros básicos totalizam R$ 31,2 bilhões
anuais.
“A despeito do
aumento do volume de crédito e da queda da inadimplência, os spreads bancários
se mantêm altos e aumentaram significativamente em outubro último”, diz o estudo
divulgado pela Fiesp. Naquele mês, o spread cobrado no total das operações de
crédito foi 36,26%, um aumento de 5,7% em relação ao mês anterior.
Para pessoa
jurídica, ocorreu uma alta de 13,3%, para 29,6%. Para pessoa física, o aumento
do spread foi de 3%, para 39,72%. “O spread para operações de capital de giro, o
qual se manteve relativamente constante desde 2003, aumentou 22,9% em outubro”.
A taxa básica
de juros (Selic) fixada pelo Banco Central serve de referência para o conjunto
da economia, incluindo os financiamentos bancários. Basta uma comparação com
taxas básicas de juros de vários países para se constatar o motivo do alto custo
do crédito no Brasil. De janeiro a novembro, a taxa básica de juros dos EUA caiu
de 4,25% ao ano para 1%; na Inglaterra, diminuiu de 5% para 3%; Zona do Euro, de
4% para 3,25%; Japão, de 0,5% para 0,3%. Enquanto isso, no Brasil, Meirelles fez
o inverso: aumentou de 11,25% para 13,75% ao ano. Para Coelho, “já passou a hora
de baixar os juros”, sugerindo ainda a continuidade da diminuição do
recolhimento do depósito compulsório, a redução de entraves burocráticas pelo
BC, entre outras, como medidas para a redução do spread bancário.
VALDO ALBUQUERQUE
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